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Mandela

por MARCO ANTONIO POLETTO
23 de julho de 2018
“Caminhar pela chamada “Jornada de Mandela” significa passar pelos diversos pontos relacionados à sua história e poder compreender melhor a essência da luta pela liberdade”.

A quarta-feira (18) entrou para a história porque em 1918 nascia nessa data Nelson Rolihlahla Mandela, um dos principais líderes mundiais do século 20. Com sua trajetória de combate ao apartheid (regime de segregação racial de 1948 a 1994), Mandela se transformou num dos principais símbolos de resistência ao racismo e à violência do Estado contra a maioria da população sul-africana e ultrapassou fronteiras ao se tornar um líder mundial na luta antirracista no mundo. Mantido prisioneiro por determinação da CIA (agência de espionagem estadunidense), passou 27 anos na prisão do regime segregacionista da África do Sul, conquistando a liberdade em 1990 para se tornar o primeiro presidente negro do país em 1994, cargo que só deixaria em 1999, com amplo apoio popular. “Com a força de um libertador traduziu a luta contra a apartheid, pela luta dos direitos civis, humanos e pela soberania de seu país”. O líder negro faleceu no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, deixando um legado como poucos de resistência e abnegação pela causa de um mundo mais justo e igual. Com muita justiça recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993, pela sua trajetória em favor dos oprimidos, porque a sua luta transcendeu as fronteiras-sul-africanas e frutificou pelo mundo. 
“O valor deste prêmio que dividimos será e deve ser medido pela alegre paz que triunfamos, porque a humanidade comum que unem negros e brancos em uma só raça humana teria dito a cada um de nós que devemos viver como as crianças do paraíso”, disse em seu discurso na premiação do Nobel da Paz que dividiu com o último presidente branco de seu país, Frederik de Klerk. Ele era extremamente cavalheiro. Nunca sentava numa sala se houvesse uma senhora em pé, mesmo nas coletivas de imprensa. Ele ficava em pé até os seguranças arranjarem cadeiras para todas as mulheres da sala. E não passava nunca na frente de uma mulher. Tinha uma noção muito clara de que os valores de atenção aos outros eram o bilhete de identidade, de apresentação dele como ser humano. Ele, ao elevar a dignidade das pessoas com que lidava no dia a dia, criava um ambiente mais propício para as pessoas buscarem o melhor de si mesmas nas relações com os outros. Lembrar da relevância de Mandela é fundamental para a luta internacional contra o racismo. O apartheid era um regime autoritário, violento, que levou à morte de milhares de pessoas e que torturou e matou inúmeras esperanças políticas. Mesmo preso, ele continuava a ser uma pessoa que estimulava os africanos a não retrocederem além das questões políticas, o sucesso de Mandela se deve a um fato: ele soube conquistar o povo por meio do carisma, da simplicidade e da sabedoria. “Ele foi intelectualmente uma pessoa que resistiu e, ao mesmo tempo, não esmoreceu. Manteve-se firme até o último momento de vida. Ele foi o tempo inteiro uma pessoa que demonstrava um amor imenso para o povo sul-africano”, “A África do Sul e o mundo devem muito a Mandela, especialmente nesse momento em que estamos vendo tanta injustiça e desigualdade. Lembrar de sua história, e de como superou preconceitos para nos deixar lições preciosas a respeito de amor e perdão é um pouco do que podemos fazer em homenagem a ele
No centenário de Mandela, cresce o abismo entre pobres e ricos.
Triste...

Marco Antonio Poletto 
(é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)