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Mais seriedade é preciso

por Juarez Canato
25 de março de 2018
Juarez Canato
Em decorrência de um contencioso instaurado entre Brasil e França, conhecido como “guerra da lagosta”, em 1964 o general Charles de Gaulle, herói francês da segunda guerra mundial, teria pronunciado as célebres frases: “O Brasil não é um país sério”.
Até hoje há controvérsia sobre se tais frases teriam sido ou não pronunciadas pelo então presidente da França.
O certo é que, cinquenta e quatros depois, há sérias dúvidas sobre a seriedade do governo brasileiro.
Não é novidade para ninguém a depressão econômica que está a afligir o nosso país. 
Conforme opinião quase unânime dos economistas, a atual crise econômica brasileira é a mais grave de toda a história e vem repercutindo em todos os segmentos da sociedade.
Mas não é só. Nos últimos anos a indústria brasileira vem sendo sucateada e acumulando forte baixa no seu desempenho.
Já o comércio tem dado sinais de melhora, mas ainda está longe de alcançar eficiência ideal, posto que, sem dinheiro, as pessoas não consomem.
Graças à agropecuária, há uma previsão positiva de 1% no PIB nacional.
Enfim, o país ainda tenta safar-se do período de declínio na taxa de crescimento econômico.
Embora seja pública a dificuldade do governo em fechar as contas no final de cada exercício, a impressão que dá e a de que tudo está a correr as mil maravilhas.
Para confirmar esta asserção, aqui vai um exemplo: consta que no ano de 2018 terá 12 feriados nacionais em dias úteis.
Não é preciso um estudo aprofundado para saber que esse número exagerado de feriados causa uma perda irreparável à nação.
Segundo estudo da MC2R Inteligência Estratégica, considerando o PIP, o custo dos 12 feriados pode chegar a R$259,8 bilhões de reais.
Mas não fica por aí, há mais trinta e oito feriados estaduais não coincidentes com os nacionais, resultando num prejuízo de R$ 27,4 bilhões de reais, sem contar os 71 feriados municipais nas capitais, que podem custar mais R$ 1,6 bilhões de reais.
Diante desse descalabro, é forçoso concordar com o general Charles de Gaulle.
De acordo com a economista Juliana Inhasz, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), os feriados influenciam negativamente o comércio e a indústria, sobretudo os com emendas prolongadas.
Até porque o comércio e a prestação de serviços são os mais prejudicados, isto porque, no mais das vezes, uma parte do salário provém de comissão e, menos dias trabalhados, menos comissão.
Se de um lado a administração pública leva vantagem com feriados prolongados, porque economiza com água, luz, telefone e outros insumos, de outro, ficam prejudicados os serviços públicos, já tão deficitários, notadamente a segurança pública, prestação jurisdicional e atendimento à saúde, que funcionam restritamente por intermédio de plantões.
Em 2017, dentre as 14 datas comemorativas, sete ocorreram em terças ou quintas-feiras, os chamados “feriadões” que “emendam” ao fim de semana. A outra metade foi celebrada em segundas ou sextas. 
Diante dessa realidade, é imperativo reconhecer que, de fato, não há o mínimo de seriedade neste país.

Juarez Canato
(é advogado em Jales)