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Mais pão e menos circo

Editorial
15 de maio de 2017
No início deste mês de maio, houve nova demonstração de que os prefeitos estão optando pela seriedade no trato da coisa pública, abandonando de vez a velha prática de jogar para a arquibancada.
Desta vez, coube a Maurício Honório de Carvalho (PSD) prefeito da vizinha São Francisco, mostrar que algo está mudando pelo menos em nossa região.
Sem o menor constrangimento e sem medo de desagradar a massa, Maurício simplesmente tirou da programação a tradicional festa do peão que sempre era realizada concomitantemente com a comemoração do aniversário da cidade.
Em um município do porte de São Francisco, o risco de desgaste era grande, mas o prefeito preferiu trocar o “segura peão” pelo investimento em atividades esportivas e em dois shows ao ar livre com bandas regionais de reconhecido sucesso como a jalesense Jafferson, por exemplo. 
Entrevistado pela Rádio Assunção, que tem um programa semanal voltado para que prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municiais prestem contas, Maurício explicou o motivo pelo qual eliminou do calendário a festa do peão de 2017.
Segundo ele, só a recuperação do recinto custaria R$ 120 mil, ao passo que o custo de toda a programação alternativa não passaria, como de fato não passou, de R$ 27 mil. “Com a economia, investiremos em saúde, educação e no social”, completou.
Em larga medida, o prefeito de São Francisco segue o que já tinha feito seu colega de Jales, Flávio Prandi Franco (DEM), suspendendo a realização da Facip 2017. 
O choque da notícia foi logo suavizado quando o prefeito explicou, timtim por timtim, os motivos da drástica medida para que a população não somente a compreendesse como a apoiasse com grande entusiasmo.
Como os leitores se recordam, Flá,  a princípio, queria resgatar a identidade da Facip, que nasceu em 1969  como feira para mostrar aquilo que a cidade tinha de melhor e não como festa do peão e shows milionários.   
Só que, para que isso acontecesse, a Prefeitura teria que investir aproximadamente R$ 300 mil na recuperação do recinto, completamente deteriorado e largado às traças há um ano.
Como o novo prefeito não joga pedra em avião e estava de posse de seu juízo, ele optou pelo caminho do bom senso e tomou a decisão de suspender a Facip, dando exemplo aos colegas da região.
Porém, justiça seja feita, quem saiu na frente no quesito equilíbrio financeiro foi a prefeita do menor município da região — Ana Lúcia Olhier Módulo (PMDB), de Vitória Brasil.
No primeiro ano de mandato, por volta de outubro de 2013, ela informou ao Jornal de Jales que não gastaria dinheiro com bailes de carnaval. E mais: durante os quatro anos seguintes não investiu um centavo em festas de peão. Mesmo assim, foi reeleita.
Resumo da ópera: os prefeitos finalmente começaram a entender que o povo anda prestigiando mais quem privilegia o pão, deixando o circo para a iniciativa privada.