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Mais Mulheres

Editorial
17 de fevereiro de 2019
Ao mesmo tempo em que respiravam aliviados com o restabelecimento do estado de saúde do presidente Jair Bolsonaro (PSL) após 17 dias internado no Hospital Israelita Albert Einstein, os eleitores dele foram surpreendidos com um verdadeiro barraco entre os próprios aliados.
Sem papas na língua, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, chamado de “meu pitbull” pelo próprio pai em face do estilo agressivo que o caracteriza, chamou de mentiroso o ministro –chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que era o presidente do PSL no período eleitoral e homem de confiança do candidato.
O pomo da discórdia foi a publicação pela Folha de S. Paulo, edição de 10 de fevereiro, segundo a qual o PSL, partido de Bolsonaro, tinha destinado R$ 400 mil do Fundo Partidário para uma mulher de 68 anos, de Pernambuco, que constava na lista de candidatas a deputado federal.
Como a suposta candidata tinha obtido apenas 248 votos, a conclusão não poderia ser outra: tratava-se de uma “laranja”, inscrita apenas para completar a lista, pois a legislação eleitoral exige que cada partido lance 30% de mulheres.
 Mas, se a candidata era de mentirinha, por que recebera R$ 400 mil se nem o candidato a presidente da República teve repasse do Fundo Partidário naquele valor?
Encurralado, o ministro declarou à imprensa naquele dia 13 de fevereiro, que tinha conversado três vezes com o presidente através de aplicativos de mensagens para esclarecer o assunto, o que gerou o esculacho do explosivo vereador. Não contente, divulgou áudio em que o pai dizia que estava prestes a “dar baixa”, ou seja, receber alta, e não era hora de conversar.
No meio do bafafá, entrou em cena o atual presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar, sucessor de Bebianno que, sem outro argumento, declarou que era muito difícil preencher as vagas para as mulheres porque elas não tinham vocação para a política.
Embora politicamente incorreta e até grosseira, como se as mulheres fossem seres inferiores, gerando uma enxurrada de críticas de norte a sul do Brasil, a frase do cacique bolsonarista encontra respaldo na realidade.
Em 6 de outubro passado, dos 513 deputados federais, só 77 mulheres se elegeram, ou seja, 15%. Da mesma forma, dos 94 eleitos na Assembléia Legislativa, de São Paulo, só 18 (20%) são mulheres.
E nem é preciso ir tão longe para constatar que a política está precisando de mais mulheres. Até hoje, só quatro representantes do sexo feminino conquistaram cadeiras na Câmara Municipal de Jales—Hilda Elias Rochel de Souza, na primeira legislatura, Esmarlei Henrique de Carvalho Melfi, nos anos 80, Aracy Murari e Pérola Cardoso nos anos 2000.
Na atual legislatura, os 10 representantes do povo são homens. Vale lembrar que, segundo o Censo do IBGE, no país tanto quanto em Jales, a população é constituída de 51% de mulheres e 49% de homens.