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Mãe: labirinto de emoções

por LUIZA ELIZABETH
13 de maio de 2018
Luiza Elizabeth da Silva
Mãe. Aprender sem mestre a caminhar o tempo todo num labirinto tentando chegar a uma saída com suas emoções equilibradas e seus sentimentos mais íntimos leves e intactos. Poucas são as mulheres que conseguem trilhar o caminho e encontrar a saída. E quando isso acontece não é sem dor ou sofrimento.

Para percorrer o caminho doce e tortuoso da maternidade é preciso saber matérias as quais nem sempre somos especialistas. É necessária muita matemática para conseguir resolver as equações complicadas desse relacionamento para cuja resolução nenhuma mulher foi preparada. Na estrada das mães a jardinagem é matéria importante e é impossível cultivar e fazer desabrochar essas flores que são os filhos sem remexer a terra, sujar as mãos, quebrar as unhas e banhar-se em lágrimas de alegria ou preocupação até que possam depender somente do sol e da chuva da vida que lhes cabe para se defenderem e seguir a jornada.

É quando nós, mães, necessitamos da intuição e sabedoria das aves para ter coragem suficiente para empurrá-los do ninho e deixá-los voar sozinhos. Nem sempre a mulher-mãe consegue. E quando o filho em algum momento comete enganos em sua trajetória o sentimento de culpa é quase inevitável. Não nos especializamos em doutoras para amenizar a dor do filho e curar nossa dor de mãe que não recebeu o mapa mostrando a saída desse labirinto de emoções.

E como mãe sente culpa por tudo, muitas mulheres, hoje órfãs de mãe buscam na lembrança o ensinamento dela, seu conselho, seu carinho e sentem-se mais uma vez culpadas por não terem dedicado a elas mais tempo, mais carinho e mais doces palavras. Entendem agora que elas sentiram falta de tudo isso como sentimos hoje também.

Culpa. Culpa. Culpa. Esse sentimento que a mulher carregou sempre simplesmente por ter nascido mulher. Culpa por não ter amado mais e acariciado mais a mãe que já se foi. Culpa por precisar dividir o tempo entre seus filhos, o trabalho e seu homem. Caminhar num labirinto que nos faz voltar ao ponto de partida e repetir muitos dos enganos cometidos por nossas mães.

Mas nossos erros, culpas e enganos merecem ser sublimados.. Exageramos nas emoções e tentamos prender o filho-pássaro debaixo de nossas asas já gastas e nossos bicos tortos. Caminhamos em suas direções com emoções desencontradas que acabam por nos impedir de encontrar a saída. Se é que ela existe.

Luiza Elizabeth da Silva
(especialização em Recursos Humanos e 
Gestão de Pessoas)
e-mail: luizaeli@gmail.com
www.luizacabecafeita.com.br