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LUIZ FLÁVIO GOMES, JURISTA E PROFESSOR

“Os grandes caciques são todos ladrões”
18 de dezembro de 2017
Luiz Flávio Gomes: “Essas pessoas poderosas não entendem outra linguagem que não seja a lei em cima delas”
“Todos os grandes caciques dos partidos estão todos podres, são todos ladrões.” Quem disse isso, em entrevista ao Jornal de Jales,foi o jurista e professor Luiz Flávio Gomes, que esteve na cidade, no dia 12 de dezembro, terça-feira,a convite da OAB, para uma palestra sobre corrupção. Na mesma entrevista ele afirma que “Lula fala muita besteira, como Aécio também fala muita besteira, Temer mente muito”.
Depois de afirmar que “tudo isso é uma elite, um grupo de empresários, banqueiros, políticos que não deixam o país se desenvolver como deveria”, ele dá a receita para acabar com a corrupção. “Para que isso aconteça precisamos de três coisas: repressão, educação do povo e uma população consciente no voto.” (DRJ)

J.J –No último dia 9 tivemos, se assim podemos dizer, a comemoração do dia internacional do combate à corrupção. Por que um jurista como o senhor, com seu saber jurídico, se envolveu nesse processo? 
Luiz Flávio Gomes – De fato no dia 9 de dezembro se comemora o Dia Internacional de Combate à Corrupção e eu estou envolvido nesse assunto em virtude do nosso movimento “Quero um Brasil Ético”. O movimento nasceu em 2016 para expressar a indignação da população com essa corrupção sistêmica. Esta roubalheira significa, hoje, R$600 milhões por dia. Isso implica que uma série de políticas públicas não são atendidas no Brasil justamente porque todo o dinheiro é desviado. A consequência disso tudo é que a corrupção é tão grande que ela é mais do que corrupção, ela é um verdadeiro genocídio, está matando pessoas que precisam de saúde e educação. Tudo isso é uma elite, um grupo de empresários, banqueiros, políticos que não deixam o país se desenvolver como deveria. O país que é governado por pequenas elites que só pensam nelas,nunca vai sair do subdesenvolvimento. Para sair desse subdesenvolvimento precisamos romper com essas pequenas elites que estão nos roubando. Para que isso aconteça precisamos de três coisas: repressão, educação do povo e uma população consciente no voto.

J.J – No final da semana passada o ex-presidente Lula esteve fazendo um giro pelo interior do Rio de Janeiro e disse, com todas as letras, que a Lava Jato acabou com o Estado do Rio. 
Luiz Flávio Gomes – O ex-presidente Lula emite algumas opiniões que são completamente disparatadas em relação à realidade brasileira, fala muita besteira, como Aécio também fala muita besteira, Temer mente muito para a população, é um mal de praticamente todos os grandes caciques dos grandes partidos. A Lava Jato é como se fosse uma cirurgia de coração, eu não consigo fazer uma cirurgia sem cortar o corpo do paciente. O processo da Lava Jato não é diferente, ela gera dor, gera transtornos, mas de fato está promovendo uma limpeza e saúde no país. Logo, nós temos que apoiar o processo para pegar exatamente todos os “grandes caciques” dos partidos que estão todos podres, são todos ladrões.

J.J – Mas há uma corrente de advogados que condenam o caráter pirotécnico da Lava Jato,dizendo que a exposição de acusados torna-os réus mesmo ainda não o sendo.
Luiz Flávio Gomes - De fato a operação cometeu alguns equívocos, Moro mesmo errou em alguns momentos. O ministro Teori quando vivo, revogou 11 prisões preventivas do Moro dizendo que ele não tinha fundamentado corretamente. Em alguns momentos há algum tipo de abuso pela Lava Jato, mas que vão sendo corrigidos rapidamente. Por isso existem os tribunais, para que sejam corrigidos os erros que o juiz Sérgio Moro comete. Agora, de outro lado, e os erros que os ladrões cometem roubando a população? Não há outro jeito de combater essa perversidade que não seja na aplicação da lei contra todos. Então, os abusos da Lava Jato tem que ser corrigidos, mas o saldo da operação é muito positivo, ela já aplicou 2.700 anos de cadeia até na semana passada, levou para a prisão gente que se julgava acima da lei e que nunca iria responder por nada na vida, já recuperou muito dinheiro para a Petrobras. A operação já retirou muitas pessoas envolvidas no caso, mas não todas. Quem pode tirar todos os podres é só a população.

J.J – Como operador de direito, o que o senhor e os outros advogados e juristas podem fazer para mudar este estado de coisas?
Luiz Flávio Gomes – Nós temos que distinguir aqui dois blocos, há um bloco de advogados e juristas que estão defendendo porque é a profissão deles, a constituição diz que todo réu tem que ter um direito de defesa, então eles cumprem o papel deles e nós temos que respeitar. Há outro bloco de juristas que está no combate à corrupção, nós somos hoje centenas de juristas querendo o império da lei, ou seja, respeitar o estado de direito, que cada ladrão responda pelo que roubou da população. É preciso que a repressão aconteça, pois essas pessoas poderosas não entendem outra linguagem que não seja a lei em cima delas, tomando seus bens. Em suma, cada grupo é um grupo. Um luta pela defesa da sociedade e o outro luta pela defesa individual de cada um.

J.J – Qual é a única maneira que o senhor e outros advogados que defendem tais ideias podem fazer para modificar este estado? Por que não disputam a eleição?
Luiz Flávio Gomes – Nós somos um grupo já grande, são muitas as entidades hoje que querem oferecer à população novas lideranças, como alternativa e jeito de fazer política. Muitas lideranças estão indo, eu mesmo sou pré-candidato a deputado federal, mas não somente eu, e sim cerca de 80 pessoas de vários movimentos. Todos nós estamos colocando à disposição da população gente honesta, que está na construção de uma bancada ética dentro do parlamento.

J.J – O senhor já se filiou em algum partido?
Luiz Flávio Gomes - Ainda não. Nós temos até dia 6 de abril para se filiar a algum partido. Eu estou analisando algumas possibilidades e só vou me filiar a partido porque não admitem candidatura avulsa. Estou inclusive com uma ação no Supremo pedindo,mas não iram deferir este ano. Se permitisse, eu iria por candidatura avulsa, sem partido. Nós estamos junto com Álvaro Dias no combate à corrupção dentro do parlamento.