quarta 02 dezembro 2020
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LOCKDOWN EM MELBOURNE: Governo da Austrália tenta segurar segunda onda de Covid-19, revela jalesense

O novo surto de covid-19 em Melbour está sendo objeto de investigação judicial na Austrália, para apurar se houve violações das regras de segurança nos hotéis designados para realizar a quarentena obrigatória de viajantes vindos do exterior.

O governo do Estado de Victoria, cuja capital é Melbourne, ordenou no início deste mês o início da investigação, depois de o número de infetados com o novo coronavírus ter aumentado, levando a um segundo confinamento na cidade de cinco milhões de habitantes, que deverá prolongar-se até 20 de agosto.

Esta notícia, que ecoou na mídia internacional, é o tema de entrevista do Jornal de Jales com o jalesense Gustavo Gasques Brassolatti, que mora naquele país.

J.J. - É verdade que fechou tudo em Melbourne?

Gustavo Brassolati - Sim, desde o dia 9 de julho Melbourne, a capital do Estado de Victoria, voltou ao chamado estágio 3 da quarentena. E o estado ficará em lockdown total por 6 semanas, inclusive com o fechamento das fronteiras com outros estados.

J.J. - Qual foi o motivo das restrições impostas pelo governo? 

Gustavo Brassolati - Após o relaxamento da quarentena, o Estado de Victoria voltou a apresentar um aumento do número de casos. O governo tentou adotar algumas medidas para frear a segunda onda de Covid-19, como a redução do limite de pessoas nos estabelecimentos, e o fechamento de alguns tipos de comércio, porém os números continuaram crescendo e o estado atingiu 191 novos casos em um dia, o maior aumento diário no estado desde o início da pandemia dando início ao segundo lockdown. No dia 17 de Julho, 428 novos casos foram notificados em Victoria sendo disparado o maior aumento diário entre todos os estados. O número é alarmante para a situação do Covid-19 na Austrália, visto que o maior número nacional (soma de todos os novos casos em cada estado) foi no 28 de Março com 469 novos infectados. Era esperado que os números crescessem mesmo após o início do segundo lockdown, devido ao período médio de incubação do vírus, que varia de 5 a 14 dias.

J.J. - Como o povo tem reagido ao endurecimento? 

Gustavo Brassolati - A aceitação do público dessa vez foi maior, a maioria das pessoas reconhece a necessidade da quarentena. O fato dos programas de auxilio criados pelo governo estarem melhor estruturados, também ajudou. Algumas das medidas criadas foram a redução das porcentagens do imposto de renda, saque sem taxas ou impostos de até 10.000 dólares do Superannuation (similar ao FGTS no Brasil), e a principal medida que é o JobKeeper, onde o governo paga uma parcela da folha de pagamento de cada funcionário visando que os contratos de trabalho não sejam temporariamente congelados ou que os funcionários sejam demitidos.

J.J. – Como o governo tem controlado a disseminação do vírus?  

Gustavo Brassolati - Além das medidas de quarentena, o governo australiano está realizando uma enorme campanha para que as pessoas realizem o teste de COVID-19, que está sendo fornecido gratuitamente, ao sentir qualquer tipo de sintoma relacionado ao vírus, mesmo que leves, para que o tratamento seja iniciado de forma precoce e o indivíduo se isole rapidamente caso o resultado do teste seja positivo.

Uma outra medida que foi criada, e que é muito fácil de ser implantada, foi o cadastro de dados pessoais (nome, telefone, e-mail e endereço) de todas as pessoas que adentram estabelecimentos como bares e restaurantes. Assim caso alguém que testou positivo para o coronavírus, frequentou algum desses lugares, o estabelecimento e todas as pessoas que frequentaram o local no mesmo dia são notificados, sendo necessário que o estabelecimento passe por uma limpeza e as pessoas realizem o teste e se isolem até receberem o resultado.


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