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Lições do fogaréu

Editorial
23 de setembro de 2019
A população de Jales foi surpreendida na última terça-feira, dia 17 de setembro, pouco depois das 12 horas, quando os motoristas que trafegavam pela avenida Paulo Marcondes perceberam que o bosque municipal estava ardendo em chamas. 
A notícia logo tomou ares de tragédia por conta das imagens captadas pelos transeuntes e postadas nas redes sociais. A associação do fogo no bosque de Jales com as queimadas que a televisão exibe dia e noite foi imediata.
Graças à intervenção dos bombeiros, servidores municipais de Jales e Urânia, Defesa Civil, Usina Colombo, Sabesp e voluntários, o fogo foi controlado não sem antes causar consideráveis danos ao maior espaço verde da cidade. 
A primeira reação das pessoas foi inevitável: quem colocou fogo no bosque? Foi algo acidental ou obra dos consumidores de drogas que circulam pelas imediações? 
Independentemente de autoria e aproveitando que ontem, 21 de setembro, foi Dia da Árvore e amanhã, 23, começa a primavera, é necessário fazer necessária  reflexão sobre  o aspecto macro, ou seja, promover um debate  que vá além do incêndio do início da semana. 
É preciso repensar a questão do meio ambiente como um todo.Em primeiro lugar, alguma coisa deve estar errada —e faz tempo. Por exemplo: como se explica que Jales, que já chegou a figurar em posição de destaque no ranking anual do projeto Município Verde Azul, implementado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, esteja lá no fim da lista?
Em linguagem futebolística, mal comparando, é como se Jales fosse uma equipe que estava na ponta da tabela, no chamado G-4, e, ano após ano, venha se aproximando perigosamente do Z-4, codinome da zona de rebaixamento.   
No ranking mais recente, Jales amargou um humilhante 490º lugar dentre 645 municípios inscritos. 
Tal situação é particularmente incompreensível principalmente se levarmos em consideração excelentes trabalhos que já foram feitos a partir das salas de aula da Unijales. 
Em relação ao bosque especificamente, alunos do curso de Biologia da Unijales, há 15 anos, sob a inspiração da coordenadora, a saudosa professora mestre Gema Prandi Rosa e com assistência de campo da professora Maria Magalhães, produziram um trabalho acadêmico denominado “Levantamento Florístico do Bosque Municipal Aristofano Brasileiro de Souza”. Gema viajou para o oriente eterno e, infelizmente, ninguém sabe o paradeiro do trabalho. 
Outro projeto que deu certo também envolveu o curso de Biologia da Unijales.  Com o apoio entusiasmado do então gerente divisional da Sabesp, Antonio Rodrigues da Grela Filho, os alunos de Gema fizeram reflorestamento da área remanescente da Estação de Tratamento de Esgotos, que acabou virando cenário até para fotos de noivos após as cerimônias de casamento.    
Estes são apenas dois exemplos de que cuidar do meio ambiente e preservar o verde não é bicho de sete cabeças e não necessita de tantos recursos. 
Talvez o fogaréu desta semana possa despertar corações e mentes e chacoalhar o limoeiro do imobilismo que imperou nos últimos 10 anos.