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Lição para o Brasil

Editorial
11 de novembro de 2018
Embora a história de Jales seja rica em episódios que demonstram posição de vanguarda em termos regionais e até estaduais, ainda há jalesenses — poucos, é verdade — que, por desinformação ou mero complexo de vira-lata, insistem em desqualificar o lugar em que vivem.
Para esta minoria às vezes barulhenta, Jales é o próprio fim do mundo. Reclama-se de tudo, desde o funcionamento de unidades básicas de saúde, passando pela UPA, da qualidade da educação, da falta de alternativas para o ensino superior e, ironia das ironias, até da suposta inexistência de espaços de lazer ou de manifestações artísticos-culturais.
Só que tais profetas do apocalipse não se dão nem ao trabalho de se informar melhor. Ignoram, por exemplo, que uma escola municipal de Jales, a Maria Olympia, foi a campeã estadual no último Ideb. Esses mesmos indivíduos que vivem praguejando e chamando a cidade de corrutela certamente nunca foram ao Centro Cultural assistir ao Concerto Solidariedade. Saúde e Música, realizado todos os anos pela Santa Casa, colocando no mesmo palco os 70 músicos da premiada Orquestra Sinfônica de Jales, de formação erudita, e cantores populares, algo sem similar no Estado de São Paulo. 
Permitimo-nos inclusive lembrá-los de que, de 21 a 25 de novembro, a Escola Livre de Teatro programou a sua 25ª Mostra, com seis encenações.
A lista de boas iniciativas em Jales é grande e demandaria uma edição completa deste jornal para falar sobre tudo o que a cidade tem de significativo e diferente.
Tais reflexões afloram porque na última terça-feira, 6 de novembro, a imprensa brasileira (e até internacional) direcionou todas as suas atenções para uma sessão solene do Congresso Nacional comemorativa aos 30 anos da Constituição de 1988.
Lá estavam cabeças coroadas da República, entre as quais o atual presidente Michel Temer, o presidente eleito Jair Bolsonaro, o ex-presidente José Sarney.  o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o presidente do Congresso Eunício Oliveira, a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge e, na plateia, uma legião de convidados e parlamentares. Claro, foi um momento impar da vida nacional, mas alto lá.
Muito antes do que aconteceu terça-feira passada em Brasília, Jales já tinha dado demonstração cabal de que é uma cidade à frente de seu tempo. 
Como se recorda, no dia 17 de agosto, por iniciativa do Ministério Público Federal em Jales através do procurador da República José Rubens Plates, e o apoio entusiástico  da diretoria da Subseção de Jales da Ordem dos Advogados do Brasil, nossa cidade sediou o Simpósio “O Combate à Corrupção nos 30 anos  da Constituição Federal”, produzindo um dia inteiro de proveitoso debate envolvendo, de um lado, nomes estrelados da advocacia  e, de outro, representantes do MPF como o celebrado ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.
Nenhuma outra cidade do país, incluindo as capitais, realizou algo deste porte. Vai daí, vale transcrever pela enésima vez o que recomendou Tolstoi, o escritor russo: “conhece a tua aldeia e sê universal”.