domingo 17 outubro 2021
Editorial

Lesa-pátria

A audiência concedida pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, terça-feira, dia 24 de agosto, em Brasília, ao prefeito de Jales, Luís Henrique Moreira (PSDB), que reivindicou a permanência da Delegacia da Polícia Federal na cidade, reveste-se de significado que ultrapassa os limites daquele encontro.

Sim, é verdade que o padrinho da audiência foi o deputado federal Fausto Pinato (PP), do mesmo partido do ministro e amigo de fé/irmão camarada do prefeito.

Por outro lado, antes de ser nomeado ministro, Ciro exercia o segundo mandato de senador, do qual se licenciou para ir para o governo. Mas, antes disso, foi deputado federal pelo Piauí no mesmo período em que o atual prefeito de Jales trabalhava em Brasília como assessor parlamentar do então deputado federal Vadão Gomes, do mesmo partido.

Ou seja, tudo conspirou para: 1) o ministro receber o prefeito de Jales; 2) enxergar a demanda com bons olhos; 3) esforçar-se para evitar o desmanche da Polícia Federal em Jales.

Feitas todas estas ressalvas, um outro fator, talvez o maior, tenha contribuído para sensibilizar o homem cujo gabinete fica no mesmo andar do ocupado pelo presidente da República—o documento que o prefeito entregou ao ministro.

Não foi um ofício qualquer, mas, um verdadeiro contencioso contemplando as assinaturas dos presidentes das 17 entidades de classe, clubes de serviço, associações profissionais e instituições filosóficas que compõem o Fórum da Cidadania.

 Até o bispo diocesano, Dom Reginaldo Andrietta, assinou o arrazoado. E por que? Primeiro, por sua representatividade, pois ele é o referencial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil para o mundo do trabalho. E também por razões históricas, eis que a área de abrangência da Delegacia da Polícia Federal em Jales foi definida a partir dos limites geográficos que nortearam a instalação da diocese, há 61 anos.

Também no documento elaborado pelo Fórum da Cidadania entregue ao ministro constam as assinaturas de todos os juízes de direito que compõem a 55ª Circunscrição Judiciária (quatro comarcas) bem como dos promotores de justiça da área, assim como dos delegados de polícia vinculados às Delegacias Seccionais de Jales e Fernandópolis, ao todo cerca de 40 municípios, todos lembrando o papel estratégico da PF em uma região limítrofe de estados, portanto corredor de passagem do tráfico internacional de drogas.

Em resumo, foi uma demonstração de unidade regional em favor do Brasil. Todo e qualquer argumento que se contrapor aos fatos elencados, é um crime de lesa-pátria.


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