jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Leitores de 17 de janeiro

Profissão: Político
18 de janeiro de 2016
Qualquer pessoa politizada, isto é, dotada de cultura política, informada, antenada nas questões fundamentais da vida pública, leitor, ouvinte e telespectador atento, sabe que uma imensa parcela do povo brasileiro é despolitizada, ou seja, sem cultura política, desinformada, nem aí para os problemas da nação. O brasileiro não tem o hábito da leitura, e quando abre jornais ou revistas, vai direto para notícias esportivas, policiais, horóscopo, coluna social e outras amenidades absolutamente inúteis. Leitura de artigos ou matérias educativas ou críticas, nem pensar. Somente uma parcela da população brasileira pode ser chamada de culta ou politizada. O povão ouve, mas não escuta, assiste televisão, mas não decodifica os assuntos importantes, lê, mas não entende. Adora novela, futebol e sonha com o grande premio na loteria, caminho mais curto para ficar “bem de vida”, confirmando o caminho de Macunaíma, herói sem caráter imortalizado na grande obra de Mário de Andrade.
Por outro lado, é da natureza brasileira o bom humor, o senso crítico em relação a tudo e a todos, excluindo a si mesmo e as pessoas e instituições que gosta, obviamente. O brasileiro é engraçado, esperto na rotina da sobrevivência, perde o fôlego diante da piada do chefe, mas não deixa de sorrir discretamente quando a piada é contada por um inferior hierárquico, revelando um coração generoso para os que ainda lutam pela inclusão e reconhecimento social.
Todos sabem dos princípios básicos para ser inserido no mercado de trabalho: currículo bem formatado, pontualidade, discrição na vestimenta, muita naturalidade e competência na entrevista.
Um erro grave, e que é cometido com frequência pelos concorrentes, é a dificuldade em definir um foco de atuação. A escolha de uma profissão e o investimento, por meio de cursos e especializações, é o que faz a diferença. Pensando nisso, nossos jovens, uns bem amparados financeiramente, outros na raça mesmo, estão começando a definir desde cedo, uma profissão pensando, obviamente, no seu futuro. Geralmente, alguns mudam até a hora de realmente escolher a que de melhor se encaixa:- Uns querem ser médico, outros, professor, advogado, historiador, ator, publicitário, cantor e por ai vamos!
Mas, o interessante de tudo isso e, embasado por pesquisas muito cansativas, chequei a seguinte conclusão: - não encontrei nenhum jovem com o sonho de ser político? Existe essa profissão? Antigamente as pessoas eram “alguma coisa” e se tornavam político, mas continuavam exercendo essa “coisa” depois que o mandato acabava. Hoje os tempos são outros, com diz Max Weber no texto “A política como profissão”, refere-se aos políticos que fazem do mandato popular mera profissão – e lucrativa – como que instalados atrás de um balcão onde se negocia, além de bens materiais, vantagens simbólicas, como cargos, influência, facilidades, prestígio, em suma, poder.                                                                                                                             Abraçam a política por vocação aqueles que se sentem motivados por ideais e valores, devotados às aspirações de seus eleitores, comprometidos com projetos históricos. Desses, não raro alguns se deixam picar pela mosca azul e sacrificam o idealismo em nome do pragmatismo. Ter como profissão “SER POLÍTICO” causa certa estranheza. Em tese, seria aquele indivíduo que abandona qualquer trabalho para se dedicar única e exclusivamente à política. Por essas e outras que a descrença da população com relação às instituições políticas é uma marca de nosso tempo. Essa situação é mais grave do que se possa imaginar, uma vez que pode acarretar outra ainda mais séria como o desinteresse político. Nesse sentido, a participação da população fica, muitas vezes, restrita às eleições, quando se escolhe, não raro sem critérios muito definidos, os administradores e legisladores.
O novo ano chegoue parece que, assim como em 2012, teremos uma enormidade de políticos profissionais atuando no cenário nacional, com uma enormidade de promessas e outras “cositas más”. Eles não o são por vocação, por competência ou por conhecimento, o são por profissão. Já ocorre há tempo esse fenômeno de termos pessoas que encaram a política como profissão. Não temos mais o médico que resolveu ajudar sua comunidade, o advogado que decidiu auxiliar na feitura das leis ou, até mesmo, o sindicalista bem intencionado. Temos agora, como já citei a pessoa que se porta com a vontade de atingir o cargo, de poder usufruir dos benefícios do mesmo. Ela serve aos outros querendo algo em troca e não por ser solidária, e não por sentir um compromisso interno de fazer a diferença. A política para ela é fim e não consequência. E assim vamos vivendo.  Em um Brasil de políticos por profissão e não por vocação. Que conhecimento essas pessoas têm? Que nível de contribuição pode dar? De quantos mais instruídos e mais bem intencionados  poderiam ser as vagas que elas estão ocupando? 
Se existe a profissão de político, é a população que deve decidir isso, afinal, os patrões somos nós.
 
Marco Antonio Poletto   
( é Gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural).