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JOSÉ ROBERTO DUARTE DA SILVEIRA

As reformas e os trabalhadores
17 de abril de 2017
José Roberto: essa fatura não pode ficar só para os trabalhadores
É preciso mudar, mas o sacrifício tem que ser de todos
Como diretor da Federação dos Trabalhadores em Transportes de Cargas do Estado de São Paulo e da Nova Central Sindical, o presidente do Sindicato dos Motoristas de Jales e Região, José Roberto Duarte da Silveira vem acompanhando de perto a mobilização dos trabalhadores de todo o país em relação às reformas propostas pelo Governo Temer.
José Roberto afirma que as reformas precisam acontecer, porque o rombo nas contas públicas precisa ser coberto. O problema é que a fatura não pode ser paga apenas pelos trabalhadores. Na sua avaliação os grandes empresários sãos maiores devedores do governo e não estão sendo cobrados. (LR) 

J.J. – Os sindicatos reclamam que as reformas só vão prejudicar os trabalhadores. Isso é verdade?
José Roberto – Eu acredito que as reformas precisam se feitas, o país tem que pagar as contas, mas eu acho que não é só o trabalhador que tem que pagar as contas. E é isso que o governo está querendo fazer, que só o trabalhador pague as contas, que as coisas aconteçam da noite para o dia e o trabalhador seja obrigado a engolir tudo isso. E nós não vamos aceitar isso.

J.J. – E o que os sindicatos estão pensando fazer?
José Roberto – Os sindicatos estão falando com os trabalhadores e tem repassado essas informações às federações, confederações e centrais sindicais. Estão se articulando e preparando as grandes mobilizações para que o governo enxergue que nós não concordamos com essas propostas das coisas acontecerem de repente e só o trabalhador ter que pagar a conta.

J.J. – Como diretor da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo e da Nova Central Sindical você percebe essa articulação?
José Roberto – A gente percebe que as centrais sindicais estão muito unidas. Antes tinha a CUT como central do PT que impedia essa união, mas hoje isso não existe mais. Hoje as centrais estão todas unidas e o lema que foi tirado dessa união é “nenhum direito a menos”. As centrais estão todas trabalhando para que o trabalhador não seja prejudicado com essas reformas.

J.J. – Essa mobilização pode reverter um pouco as propostas do governo?
José Roberto – Sim, por exemplo: o setor de transportes junto com a Nova Central e as outras centrais sindicais, nós fizemos esse protesto, no dia 15 que foi um dia de paralisação e já percebemos que o Governo Temer já tirou um pouco o pé em relação às reformas da previdência e trabalhista, já deu uma segurada e o próprio Judiciário começou a cobrar do governo mais informações de como estão acontecendo essas reformas. Estamos caminhando, mas é preciso fazer mais mobilizações, o governo tem que se conscientizar que as coisas não podem ser feitas de qualquer jeito.

J.J. – As centrais têm poder de pressão suficiente para negociar?
José Roberto – Sim, do jeito que hoje as centrais estão todas unidas nós vamos aumentar a força em relação a essa mobilização.

J.J.- E quais as perspectivas para o trabalhador a médio e longo prazo?
José Roberto – Eu reafirmo que as reformas precisam acontecer, não dá mais para continuar como está, mas também insisto que todos têm que ajudar a pagar a conta e não só a classe trabalhadora. 

J.J.- Você acha que o governo só olha de um lado?
José Roberto - Só. Os empresários estão colaborando com o que? Você sabe que os grandes empresários são os maiores devedores, os maiores construtores desse rombo da previdência e quem tem que pagar é o aposentado que ganha mil, mil e duzentos reais. São direitos conquistados há décadas que agora querem retirar. Se retirar, você sabe que depois não volta. Foi o que aconteceu com a aposentadoria especial do motorista, o fator previdenciário. É por isso que precisamos ficar atentos a essas mudanças agora, porque depois é muito difícil mudar.

J.J. – E em relação ao Congresso?
José Roberto – As centrais estão pressionando, embora os partidos estejam quase todos junto com o governo. Hoje os deputados votam com o partido e não estão ligando para os trabalhadores. Eu acho que quem estiver contra o trabalhador hoje, pode sofrer amanhã, com essa posição. Eu acho que eles têm que ser responsáveis por suas atitudes porque o trabalhador contribui para sua eleição. Eu acho que eles têm que se responsáveis e pensar muito bem antes de votar contra o trabalhador.