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JORNALISMO “SEGURA PEÃO”

por Marco Antonio Poletto
22 de outubro de 2017
por Marco Antonio Poletto
Engana-se totalmente quem imagina que jornalismo no interior é só festa e colunismo social. Muitos acham que o repórter do interior não faz outra coisa senão cobrir festa de rodeio, churrasco do prefeito, visitas de políticos, inauguração de obras municipais, etc.
Os pequenos jornais semanários há muito tempo estão se estruturando em modos profissionais e empresariais. Os antigos jornais de família, fundados por um advogado, um professor, um militar aposentado etc., vão cedendo espaço a organizações empresariais que já optam até mesmo pela terceirização, além de assinarem serviços noticiosos e de receberem colunas diárias pela Internet.
Quem tem uma idéia na cabeça e um computador na mão não precisa, necessariamente, fazer um “jornal de roça”. Se fizer, não terá leitores.  Se tiver, perderá em pouco tempo. Se o leitor está se atualizando, movido pelos processos inerentes à globalização, não resta outra saída às empresas  de comunicação senão seguir a toada. A maioria já compreende o conceito de “globalização local”, isto é, de realizar na comunidade a integração que já se verifica entre em países. Trata-se, pois, de valorizar os fatos locais, a história local, as pessoas do lugar, sem perder de vista o que passa pelo mundo globalizado.
Os jornais de comunidade tendem a crescer de importância, pois é para ele e para os demais veículos sérios do lugar, que a comunidade se volta como náufraga do mar global de notícias em busca de referência, de ponto de apoio, de reconhecimento da própria identidade. No jornal da cidade o receptor sabe que seu nome não vai sair errado e só ali ele ficará sabendo que o trânsito da rua da sua casa vai mudar de mão. Isto não seria possível no grande jornal globalizado que chega pelo correio às 10h.
O jornal do interior como “leitura local” será sempre insubstituível como marco referencial da comunidade, cabendo aos jornais regionais ou mesmo aos jornais dos grandes centros, o papel secundário de “segunda leitura”, exatamente por causa da absoluta necessidade de identificação entre emissor e receptor, característica acentuada do jornal de comunidade. À medida que se colocar a serviço da comunidade para lutar pelas causas coletivas, à medida que tiver a comunidade como sua única referência e preocupação, o jornal do interior conquistará prestígio e respeito, cabendo-lhe, depois, zelar por esse patrimônio com a responsabilidade e o equilíbrio de seu noticiário. Ao profissional desse tipo de jornal caberá  reconhecer  a importância social que a comunidade lhe atribui, mas, ao mesmo tempo, exercer seu trabalho com ética e humildade, sem jamais se deixar levar pela tentação de tirar proveito pessoal do seu status. Os que agem com seriedade ficam na memória histórica da cidade, os que traem a confiança da comunidade são execrados e esquecidos para sempre.
A carreira de muitos jornalistas de renome começou no pequeno jornal do interior e isto prova que em qualquer lugar há espaço para a ética, a seriedade, a competência, o texto bem apurado, a interpretação adequada do fato.
Grande número de pequenos jornais do interior também já possuem sites na Internet, com atualização permanente. Os repórteres já trabalham com câmaras digitais gravando as fotos e descarregando a imagem direta no computador. Os repórteres, entre uma cobertura e outra, são acionados pelo celular. Na verdade são jornais que procuram “substituir” a segunda-leitura, isto é, tentam evitar que o assinante seja obrigado a assinar o jornal do grande centro, bem mais caro, para ficar bem informado, daí a publicação de páginas com assuntos nacionais.
Acho que em qualquer  lugar do mundo “o único compromisso de jornais e jornalistas é com a informação. Seu empenho nesta tarefa faz de um jornal qualquer, um jornal livre, logo um grande jornal. Uma nação de grandes jornais é uma grande nação. Sem este valor intrínseco, sem este quilate que advém de um entendimento superior das suas funções, um jornal, por melhor que seja organizado e construído, será apenas um catálogo de notícias”.Em minha opinião, Deonel Rosa Junior, sempre esteve e estará ligado com tudo isso.Sempre...
Parabéns ao nosso Jornal de Jales

Marco Antonio Poletto 
(é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)