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Jornalismo mito

por Ayne Regina Gonçalves Salviano
15 de outubro de 2017
Ayne Regina Gonçalves Salviano
Mito é, simplificadamente, uma narrativa que tenta explicar o inexplicável. Na Grécia Antiga, por exemplo, quando era preciso justificar algo que a ciência não havia descoberto, misturavam-se fatos reais em cerimônias e rituais que envolviam a magia e os heróis. 
Hoje, a mesma palavra - usada como gíria - simboliza um “deus” ou uma “deusa”. Você, leitor, já deve ter ouvido alguém dizer, por exemplo, que o jogador Neymar é um ‘mito’ do futebol mundial ou que a modelo Gisele Bündchen ‘mita’ na passarela. 
Há, ainda, um outro significado para ‘mito’, e com todos eles é que pretendo construir um raciocínio em homenagem ao aniversário do Jornal de Jales, periódico que acompanhou a minha infância em Jales, minha juventude na faculdade de Jornalismo em São Paulo (adorava quando os Correios entregavam aquele pacote), e maturidade em Araçatuba, onde resido atualmente (e os Correios continuam fazendo a minha alegria).
Esse outro mito, em jornalismo, seria um tipo de mentira. Por exemplo, a imparcialidade é um mito. Não existe. Explico: A partir do momento que nenhum veículo de comunicação é capaz de fazer a cobertura de todos os fatos que acontecem no mundo – principalmente depois que ele ficou globalizado – e um editor precisa escolher as notícias que vai divulgar, quando ele decide por uma matéria para ser publicada em vez de outra, ele já foi parcial. 
Outro mito no jornalismo é a ideia de que “jornalista não pode opinar”. Pode! É só usar os espaços certos para este tipo de texto: editorial, artigo assinado, coluna, resenha crítica, entre outros. Obviamente que o jornalista não deve opinar nas notícias. E nessas narrativas a técnica da objetividade do texto impede que isso aconteça nos veículos de comunicação sérios. 
Mas que ninguém se engane, as linhas editoriais dos veículos de comunicação deixam sempre, muito claras, quais são as ideias que serão defendidas nas publicações.  Já tivemos revistas que avisaram seus leitores que seriam a favor de determinado partido político; outra afirmou que enquanto o Brasil fosse governado por determinado partido, escreveria país com letra minúscula em vez de País (com maiúscula), e há jornais que até fazem propaganda do que defendem: cotas raciais, descriminalização das drogas, legalização do aborto, entre outros. Ou seja, o leitor não pode acusar esta mídia de querer enganá-lo, não é mesmo?
O que tudo isso tem a ver com o Jornal de Jales que está aniversariando? Tudo!
Primeiro porque o Jornal de Jales tem, há décadas, um editor – Deonel Rosa Júnior – que é um mito do tipo Neymar, no futebol, e Gisele Bündchen, nas passarelas. Deonel se fez dentro do rádio e do jornal. E a partir do momento que assumiu o JJ, assumiu também o compromisso de lutar por uma Jales melhor. E nunca escondeu de ninguém a linha editorial do seu veículo de comunicação. Portanto, nenhum leitor pode se dizer ‘enganado’ quando lê as páginas do Jornal de Jales.
O Jornal de Jales também ‘mita’ quando sobrevive semanalmente em um mundo onde os jornais de papel estão diminuindo e até desaparecendo.
Este veículo de comunicação é um mito porque há quase meio século ajuda a contar a história de uma cidade que é só um pouco mais velha do que ele.
Assim, entre o mito original e o ‘mitar’ popular, o JJ circula fazendo história, buscando ajudar no desenvolvimento da cidade, ampliando o conhecimento dos jalesenses e, principalmente, sobrevivendo como um herói em tempos tão difíceis. Que os jalesenses saibam reconhecer essa importância.

Ayne Regina Gonçalves Salviano 
(é gestora do Damásio Educacional Araçatuba. Jornalista, professora, mestre em Comunicação e Semiótica. Leitora do Jornal de Jales há 40 anos.)