quinta 22 outubro 2020
Perspectivas

Jornal de Jales, 49 anos!

Em um mundo tomado pelas “fake news”, onde as “tias do WhatsApp” têm mais credibilidade do que a Ciência, comemorar 49 anos de um veículo de comunicação, como o Jornal de Jales fará no próximo dia 10 de outubro, é uma vitória tripla.

Primeiro porque trata-se da sobrevivência de um jornal impresso em uma cidade pequena. Nestas condições, o número de anunciantes e leitores é limitado enquanto os custos de produção só crescem, principalmente em um país de economia pobre com preços baseados em economias ricas, como o dólar norte-americano (muitos dos insumos das gráficas são cotados em dinheiro estrangeiro).

Segundo porque trata-se de resistir, por quase cinco décadas, aos modismos que, vez ou outra, assombram a mídia. Vejamos: quando o rádio surgiu, imaginou-se que os jornais sumiriam, afinal o novo veículo de comunicação era mais ágil e tinha a emoção da voz dos narradores. O jornal não morreu.

Quando a televisão nasceu especulou-se que os jornais e as rádios morreriam porque a TV tinha som e imagem, era muito mais atrativa. Não aconteceu. Quando a internet foi lançada, os “entendidos” decretaram o fim do rádio, dos jornais e das emissoras de televisão porque a nova ferramenta tinha tudo ao mesmo tempo: texto, imagem, movimento e som. O fato não se comprovou.

Quem aposta no fim dos jornais de pequeno porte do interior desconhece o prazer da solitude que a leitura deste tipo de veículo de comunicação proporciona. Há todo um ritual, especialmente se o jornal é semanal. Guardar um espacinho da manhã do domingo, com um bom café do lado e folhear as páginas do Jornal de Jales para saber das notícias é um momento de paz, reconfortante.

A leitura do jornal da nossa cidade traz, além das notícias, os acontecimentos sociais importantes, os editais de proclamas (porque em cidade pequena é sempre bom saber quem vai casar com quem, não é?) e até o obituário nos emociona porque desperta a humanidade de lamentar a perda daquele que só se conhecia de vista ou já tínhamos ouvido falar porque era parente de um amigo. Coisas simples assim, que só essa aproximação de quem vive em cidade pequena permite.

Mas eu afirmei no início deste texto que a vitória da comemoração dos 49 anos do Jornal de Jales era tripla. O terceiro e último motivo para celebrar o aniversário do jornal mais tradicional da cidade é justamente saber que apesar das “fake news” e das “tias do WhatsApp”, se alguém quiser alguma informação de qualidade, deve esperar a edição do JJ.

Parabéns, Deonel Rosa Júnior. Parabéns, equipe do Jornal de Jales. Parabéns especialmente aos anunciantes e assinantes que fazem esta realidade acontecer.

Ayne Regina Gonçalves Salviano

(É jornalista, professora de Redação e empresária no ramo da educação em Araçatuba) 

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