jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

JORNAL DE JALES 46 ANOS

A vitória de Jales
09 de outubro de 2017
O escritor Roberto Gonçalves, no lançamento do seu livro “A Jales que vivi”
Jales nasceu em 1941, plantou e vendeu café para o mundo inteiro, criando lideranças políticas produzidas pelo poder econômico. Uma vila recebendo migrantes de todos cantos do Brasil, gravitando em torno da forte liderança de Euplhy Jalles e, para variar, alguns “gatos pingados” oposicionistas tentando tirar o fundador de Jales de sua confortável liderança.
A primeira vitória de Jales foi o reconhecimento ao esforço heróico do fundador e mais uma centena de pioneiros que viabilizaram um projeto para dar certo, com economia sólida, minifúndio, cidade quadriculada, um jornal “ A Comarca de Jales”, para ser porta voz das idéias de Euplhy Jalles e dos pioneiros que acreditaram no sucesso de Jales.
Fundador do Diário da Região de Rio Preto, ainda hoje o principal jornal daquela cidade, Euplhy era um homem culto e sonhava uma Jales à sua imagem e semelhança, com seu jornal “ A Comarca de Jales” entrando em todas as casas e lido por toda família. Um jornal que dava grande prejuízo financeiro, coberto pela conta bancária de seu proprietário.
A segunda grande vitória de Jales foi a instalação da Comarca, após exaustiva luta das lideranças de Jales e com o jornal “A Comarca de Jales” na vanguarda, explicando à sociedade jalesense a importância da cidade tornar-se Comarca.
E a sucessão de vitórias foi acontecendo, com a comarca trazendo Sinésio Sapucahy para ser nosso juiz de direito. No meu livro “A Jales que vivi” precisei de cinco artigos para relatar a revolução que Dr.Sinésio promoveu no desenvolvimento de Jales. E a vinda de Dr. Sinésio, aliado a Euplhy Jalles e Edilio Ridolfo, monta a estratégia da terceira e grande vitória de Jales, visando conquistar a Diocese para Jales.
De vitória em vitória, Jales foi crescendo, tornando-se centro de região, após o extraordinário desenvolvimento na década de 50. Com a morte de Euphy, em 1965, outros jornais surgiram, mas desapareceram, porque a sintonia de Jales com sua imprensa não era das melhores. O surgimento de novas lideranças em Jales não priorizou a fundação de um jornal pujante, porque a mentalidade dominante era que o povo não tem o hábito da leitura de jornal.
A vitória que Jales já estava merecendo, não aconteceu na década de 60, apesar de algumas tentativas dos sonhadores que pensaram um jornal definitivo para a cidade.
Finalmente chegamos à década de 70, quando Jales coleciona várias derrotas, com destaque para o canteiro da CESP na construção de Água Vermelha sendo instalado em Fernandópolis, provocando intenso surto de desenvolvimento urbano naquele município. Vários engenheiros da CESP afirmaram que o canteiro deveria ser construído em Jales, tendo em vista nossa posição geográfica no eixo de Ilha Solteira e Água Vermelha.

REVOLUÇÃO 
Então surge uma nova e revolucionária vitória para Jales, aliviando as dores das derrotas da época, com o surgimento do Jornal de Jales, fundado por dois jovens idealistas, e como os ideais provocam sonhos, esses meninos da década de 70,
conhecidos como Chico Melfi e Zeca Moreira, trazem para Jales a modernidade que faltava, com idéias progressistas, textos de primeira linha, editoriais que não ficavam devendo nada aos grandes jornais.
No começo da década de 80, o jornal é vendido a um jovem que veio de Olímpia para ser radialista e acabou brilhando como jornalista, dono de um texto macio, mas sempre profundo.
O primeiro compromisso do jornal foi com o desenvolvimento de Jales, em tempo integral, esteja quem estiver no poder e agindo como a verdadeira imprensa. A neutralidade política do jornal não ficou na linha da alienação, muito comum nos pequenos jornais do interior, quando o pensamento crítico desaparece, evitando problemas com a situação e oposição. O sucesso do Jornal de Jales foi a neutralidade sem perder o espírito crítico.
Prefeitos foram criticados, vereadores foram denunciados, empresários inescrupulosos não foram poupados. O jornal fundou o partido da cidade e da região, se expandindo e ajudando fortalecer o poder de centro de região que hoje Jales ocupa, principalmente na área de saúde.
O título deste artigo é  “A Vitória de Jales”, porque nossa cidade teve, tem e continuará tendo muitas vitórias, porque acredito no amor à Jales, no orgulho de ser jalesense e outros valores que o Jornal de Jales conseguiu introjetar na sociedade.
A essência deste artigo é a constatação sociológica de que a  maior de todas as vitórias, desde a criação da diocese, foi a fundação do Jornal de Jales. E minha tese se confirma com o quadragésimo - sexto aniversário do jornal. Que jornal do interior, semanário, sobrevive 46 anos? Fui proprietário do Jornal de Catanduva, semanário que aguentou apenas um ano.
Tenho dezenas de amigos que fundaram ou foram proprietários de jornais e nenhum ultrapassou a marca de dez anos.
O Jornal de Jales, patrono da inteligência e paraninfo de valores eternos e universais faz Jales pensar, agir e acontecer. É a bússola de uma cidade que busca uma direção.
Quase meio século de Jornal de Jales é a maior vitória de Jales depois da Diocese, repito.
E o moço de Olímpia, batizado Deonel Rosa Junior, texto que já mostrei para grandes jornalistas e intelectuais brasileiros, é um  fenômeno na arte de usar um jornal em favor da cidade.