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Jogo para a arquibancada ou dever de casa?

Editorial
18 de setembro de 2017
A administração Flá-Garça, empossada em 1º de janeiro deste ano, fez aposta de altíssimo risco político  30 dias depois, ao anunciar  a suspensão da realização da Facip 2017, sob os auspícios da Prefeitura, inclusive com comissão organizadora nomeada.
Em entrevista coletiva, o prefeito, rodeado de assessores,explicou que, depois de se reunir com vereadores, decidiu cancelar a maior festa popular de Jales. Segundo ele, só para colocar o recinto da Facip em condições de uso, a municipalidade teria que gastar R$ 300 mil, o que foi considerado inviável, eis que havia outras prioridades. 
A decisão, repita-se, arriscada politicamente, foi bem compreendida pela população, farta de pão e circo e sequiosa de melhorias na cidade, em todos os sentidos.
Ao mesmo tempo em que tirou a Facip do radar, a administração emitiu sinais de que estava trabalhando  sério, iniciando o trabalho de recapeamento da malha viária urbana, na época caindo aos pedaços.
Ao completar 100 dias de governo, a administração Flá-Garça colheu os primeiros frutos da opção preferencial pela austeridade. Levantamento realizado em Jales pelo Instituto Veritá, que trabalha em parceria com a Band, conferiu 81%  de aprovação aos novos governantes. 
Pois bem, no início deste mês, a  cúpula da administração municipal fez outra aposta política ainda mais arriscada, enviando à Câmara Municipal Projeto de Lei Complementar propondo a revisão da Planta Genérica de Valores, atualizando, pelo menos em parte, o valor venal dos imóveis, o que poderá implicar em até 22,07%  de acréscimo do IPTU.
Os próceres governamentais alegaram que a última medida neste sentido tinha sido feita ainda na administração Humberto Parini-Clóvis Viola, em 2008, estando, portanto, claramente defasada.
Devidamente convencidos pelos argumentos da assessoria prefeitural, que foi à Câmara Municipal  três vezes dar explicações,  os nobres edis aprovaram o projeto por unanimidade  na última segunda-feira, dia 11 de setembro. 
Vencida a batalha política, resta agora ganhar a opinião pública, normalmente refratária a tudo que mexa no seu bolso, seja em nível nacional, estadual ou municipal.
Por coincidência, em São Paulo, o prefeito João Dória preferiu não correr o risco de desgaste. Dois dias depois da aprovação da atualização do IPTU em Jales, a Folha de S. Paulo publicou em manchete de primeira página: “De olho em ano eleitoral, Dória segura reajuste do IPTU em SP”
Em  página interna, o jornal foi além ´:”por lei, a cada quatro anos, a prefeitura deve revisar a Planta Genérica de Valores, que fixa os valores venais dos 3,4 milhões de imóveis da capital paulista e que serve de base de cálculo do IPTU. A medida poderia resultar em aumento significativo do imposto em áreas que tiveram valorização imobiliária. Já em regiões que se desvalorizaram poderia haver redução”. 
Ou seja, segundo a Folha, que é o maior jornal do país, Doria, em nome de seu projeto presidencial, “amarelou”, preferindo jogar para a arquibancada. Flá e Garça, que não são candidatos a nada, optaram por fazer o dever de casa.
Quem está com a razão? Só o tempo dirá...