jornaljales@gmail.com
17 3632-1330

Jogo do ganha-ganha

Editorial
14 de janeiro de 2019
Em 1977, assim que assumiu a Prefeitura, o prefeito José Antônio Caparroz preocupou-se em colocar em prática as suas promessas de campanha, algumas delas ousadas para a época como, por exemplo, a possibilidade de desapropriar áreas para fins sociais.
Caparroz não tinha para onde correr. Durante a campanha toda, dois aliados de perfis diametralmente opostos, como o fazendeiro Juvenal Giraldelli e o ilustre advogado Laurindo Novaes Neto, ambos de saudosa memória, incendiavam a massa que ia aos comícios quando bradavam a plenos pulmões: “a cerca vai cair”, alusão a áreas inaproveitadas pertencentes ao espólio do engenheiro Euphly Jalles.  
A concretização do compromisso assumido demandava muita habilidade, pois a legislação da época não era explícita a respeito do tema. Tanto que Caparroz tentou, mas perdeu a batalha na justiça.
Mas, este não era o único desafio, pois havia problemas aos borbotões. Porém, como bom descendente de espanhóis, Caparroz foi à frente tentando implantar na administração pública as linhas mestras de sua trajetória na iniciativa privada onde fez robusta fortuna.
De visão futurista, ele viu com bons olhos, entre outras, a sugestão de seu chefe de gabinete, Wladimir Antonio Franco, mais conhecido como professor Doca, no sentido de que a Prefeitura liderasse a confecção de um calendário anual de eventos, a fim de, literalmente, organizar a festa. 
Para o autor da sugestão, se as entidades se entendessem, todas ganhariam. E, na época, não eram muitas que recorriam ao expediente de promoções para arrecadar dinheiro. A rigor, apenas Lar Transitório São Francisco, Apae e quermesses de grande porte realizadas na Praça Dr. Euphly Jalles.
Por razões que não cabe aqui discutir, a sugestão, embora bem vista no início, não se concretizou. 
Pois bem, 41 anos depois, eis que aquilo que parecia de pouca importância tornou-se um problema. Hoje, aproximadamente 10 entidades filantrópicas conseguem sobreviver graças aos almoços jantares, shows musicais (com os promovidos pelo Hospital de Amor e Santa Casa) e tantas outras iniciativas lideradas por clubes de serviço. 
Como, com pequenas diferenças, os colaboradores são quase sempre os mesmos, todas as instituições perdem alguma coisa com o acumulo de promoções na mesma data ou nas imediações. 
Para não ir muito longe, basta lembrar o dia 9 de dezembro do ano passado, quando na mesma data e na mesma hora, o Hospital de Amor realizou um leilão de gado no Comboio e a Apae promoveu almoço em seu salão social. 
Por estas razões, vale perguntar: aproveitando que o ano está apenas começando, não seria o caso do poder público municipal propor aos dirigentes de entidades uma política de boa vizinhança, montando um calendário em que todos se beneficiariam, fazendo o chamado jogo do ganha-ganha?
Vale lembrar que o saudoso professor Doca, que fez a sugestão ao prefeito Caparroz em 1977, é pai do atual prefeito Flávio Prandi Franco.