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Jasmines não precisam de Aladdins

Por Ayne Regina Gonçalves Salviano
16 de junho de 2019
Ayne Salviano
Viralizou o vídeo em que a garotinha Madison Jade, de 4 anos,  dá uma lição de feminismo ao mundo. Referindo-se ao filme Aladdin, em cartaz, ela opina que a princesa de Agrabah, Jasmine, não precisa esperar que Aladdin mostre o mundo a ela, como sugere a música tema da trama, “A Whole New World”. 
Para Madison, Jasmine pode conhecer o mundo por conta própria porque uma mulher “não precisa de um garoto para mostrar o mundo”. E acrescenta, “uma princesa não precisa de um príncipe para resgatá-la, ela pode salvar-se sozinha”.
O discurso de Madison é um exemplo de sororidade, palavra cujo significado vem crescendo entre as mulheres, inclusive as brasileiras. Em uma definição simples, sororidade significa a aliança entre mulheres, baseada na empatia e no companheirismo, em busca de alcançar objetivos comuns, especialmente o desejo de igualdade entre os gêneros. 
A sororidade é, certamente, um dos principais pilares do feminismo. Parte da ideia do acolhimento entre mulheres, ensinando que não se deve fazer julgamentos prévios que fortaleçam estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista e patriarcal. Quando isso acontece, as mulheres sentem literalmente na pele os resultados, basta contabilizar o número assustador de feminicídios e todos os outros tipos de violência.
O mundo vive uma nova realidade e o Brasil precisa fazer parte desta nova ordem mundial. Vamos fazer uma comparação: em 1941, durante o Estado Novo, o presidente Getúlio Vargas assinou um decreto-lei (No. 3.199) proibindo mulheres de jogar futebol. Hoje assistimos a Copa do Mundo Feminina com a alegria de ter a melhor jogadora do mundo, Marta, eleita para receber o prêmio por seis vezes. Seis vezes!
Mas nem Marta e nem nenhuma de suas companheiras ganham os mesmos salários de jogadores homens convocados para a Seleção Brasileira. Eis a questão de gênero que se impõe. Mais do que nunca são necessárias Jasmines, Madisons e Martas, e todos nós unidos pelo discurso de igualdade.

Ayne Salviano
(é jornalista e professora. Mestre em Comunicação e Semiótica. Gestora Educacional do Damásio Araçatuba)