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Janot e o dever do voto

Editorial
26 de agosto de 2018
Jales não é melhor nem pior do que as cidades circunvizinhas. É apenas uma cidade diferente. Foi com esta linha de pensamento que o diretor deste jornal, convidado pelos organizadores (Ministério Público Federal e Subseção de Jales da Ordem dos Advogados do Brasil) fez a abertura dos trabalhos do Simpósio “Combate à Corrupção- 30 anos da Constituição”, dia 17, em Jales.
Para subsidiar o que dizia, o âncora se reportou a aspectos históricos de Jales. Como, por exemplo, o fato de que, ao contrário do que ocorreu nos demais municípios, a cidade foi dividida em minifúndios.
Outro diferencial: os quatro primeiros prefeitos de Jales tinham cursado as melhores universidades públicas do país — engenheiro Euphly Jalles, primeiro e terceiro, formou-se na Escola Politécnica da USP; Pedro Nogueira era médico formado pela Faculdade Nacional de Medicina-Rio de Janeiro: e Roberto Rollemberg frequentou os bancos da lendária Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco).
Também foi lembrado pelo jornalista que, com pouco mais de 20 anos de fundação, Jales tornou-se sede de Diocese, abrangendo 44 municípios, tendo como primeiro bispo um holandês, D. Artur Horsthuis, que trouxe um grupo de padres de seus país, entre os quais, José Jansen, que percorria as comunidades rurais de bicicleta, carroça ou charrete. Mas, o que mais chamava a atenção era que aquele holandês de mais de 2 metros de altura foi o maior incentivador das folias de reis na história de Jales.
O vanguardismo jalesense também foi destacado do ponto de vista político-administrativo. Em 1968, no auge da ditadura militar, só três cidades paulistas elegeram prefeitos de oposição —Orestes Quércia (Campinas), Laerte Mendes (Matão) e Edison Freitas de Oliveira (Jales).
E no final dos anos 80, durante a Assembleia Nacional Constituinte, só um político da região assinou a Carta Magna—o já citado Roberto Rollemberg, de Jales.
Por tais motivos, era natural que uma cidade tão diferente fosse a sede daquele simpósio, colocando frente a frente nomes estrelados da Advocacia e do Ministério Público.
Foi um duelo de gigantes, como previu o J.J. neste mesmo espaço, na edição de 19/08/2018. Os advogados Guilherme Batocchio e Gustavo Badaró, de um lado, e os procuradores da República Douglas Fischer e Rodrigo Janot, do outro, justificaram plenamente porque, em pleno dia útil, mais de 400 pessoas passaram horas de ouvidos atentos no que diziam os palestrantes convidados.
Claro, o grande astro do encontro foi o ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que denunciou um sem número de habitantes do andar de cima, mandando boa parte deles para a cadeia. 
Pois bem, coube a Janot, que falou sobre as “Marchas e Contramarchas da Operação Lava Jato”, dar um recado que pode até ter passado batido pela maioria. 
Janot lembrou que, neste ano eleitoral, embora todas as atenções estejam voltadas para a eleição presidencial, o voto tão ou mais importante em quem vai ser o chefe da nação será nos candidatos a senador, deputado federal e deputado estadual, que podem contribuir para erradicar a corrupção.
Em tom incisivo ele disse nas entrevistas: “eu tenho candidatos, eu já sei em quem votar”.