quarta 05 agosto 2020
Agronegócio

Jalesense pesquisa novas bactérias para produção de soja

O desenvolvimento de novas bactérias para a produção de soja é o foco da pesquisa que Luís Gustavo Moreti de Souza, de 27 anos está trabalhando em sua tese de doutorado que começou na Unesp de Botucatu e deverá concluir no Netherlands Institute of Ecology, na Holanda.
Luís é formado em Agronomia na Unesp de Ilha Solteira, onde fez mestrado. Seus pais, Nilson de Souza e Suzi Moreti nasceram em Santa Albertina onde mantem uma pequena propriedade rural que era do seu bisavô. Quando ele tinha seis anos, vieram para Jales e ele foi estudar na Escola Elza Pirro Viana e depois na Escola Dom Artur Horsthuis.

SUSTENTABILIDADE
Luís sempre focou suas pesquisas na soja onde busca desenvolver uma produção de modo mais sustentável, com a utilização de microrganismos. São bactérias que podem agir de várias formas, como no combate a pragas ou disponibilizando nutrientes, dispensando ou reduzindo o uso de adubos. 
Sua área específica de pesquisa é a nutrição das plantas a partir da identificação desses microrganismos. Esse trabalho também pode contribuir para atender as exigências cada vez maior do mercado exterior em relação ao uso de produtos químicos utilizados nas culturas no Brasil.

PEQUENAS CULTURAS
Por enquanto Luís pesquisa o desenvolvimento de novas bactérias para a soja, mas no futuro elas poderão ser utilizadas em outras culturas, em pequenas ou grandes plantações. 
A próxima cultura a ser beneficiada deverá ser a da cana, mas na sequência as bactérias poderão ser utilizadas em áreas menores, como na uva e nas hortaliças que no momento ainda são inviáveis em função do custo e da falta de incentivos para produção em pequena escala.
Luís trabalha tanto com bactérias que já são utilizadas na soja há várias décadas como nas novas que ainda estão sendo pesquisadas antes de serem comercializadas.

BAIXO CUSTO
Além do lado ecológico o uso de bactérias nas grandes produções tem um custo muito menor do que o de adubo que custa em torno de R$ 1.300,00 por hectare enquanto um inoculante bacteriológico não passa de R$ 15,00. Daí a utilização de bactérias em mais de 90% da cultura da soja. 
Como a soja e outras culturas ainda dependem do uso de agrotóxicos os estudos avançam no sentido de procurar alguma forma de utilização de bactérias que possam substituir esses produtos no combate a pragas.

BOLSISTA
Luís tem uma bolsa de estudos pela Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo que também financia os laboratórios e viagens dos pesquisadores.
No Brasil ele colocou a praga em contato com a planta e na Holanda ele vai verificar se realmente a bactéria se instalou na planta e no solo e quais microrganismos estão sendo beneficiados. O instituto holandês existe há mais de 70 anos, voltado para a ecologia que é estudada na água, no ar, no solo e na planta.
Em Botucatu ele tem como orientador o professor doutor Carlos Crusciol e na Holanda está sendo orientado pela pesquisadora doutora Eiko Kuramae. Carlos Cursciol é especialista em sistemas de produção envolvendo grandes culturas e Eiko Kuramae é especialista em microrganismos e na identificação de bactérias que são benéficas para as plantas.
Desenvolvido por Enzo Nagata