quinta 22 outubro 2020
Geral

J.J. 49 ANOS: O jornal que resgata Jales

Roberto Gonçalves transformou em livro 245 artigos publicados pelo Jornal de Jales e autografou a obra para o escritor Genésio Seixas, outro qualificado colaborador do J.J.

 Assim como os Estados Unidos, hoje maior potência mundial, tiveram seu velho oeste, amplamente retratado nos filmes de bang-bang, o Brasil também teve (e ainda tem) sua colonização sem lei, matando os índios, queimando as florestas, políticos de terceira categoria, judiciário em crise, populismo que gera o Centrão e analfabetismo político que produz os TRUMP da vida nos EUA e semelhantes no Brasil.   

Nossa querida Jales não fugiu à regra e viveu todas as crises de identidade de 1941 até hoje. Fomos salvos por alguns estadistas, começando por Euplhy Jalles, Pedro Nogueira, Edson de Freitas, Roberto Rollemberg, Osvaldo Carvalho e mais uma dúzia de esforçados em adquirir o status de estadistas, mas longe de chegar lá, pois priorizavam o vil metal.  

Fomos agraciados com a sorte de receber grandes colônias, com destaque para os italianos, japoneses, portugueses, árabes, espanhóis, mineiros, nordestinos e paulistas de vários recantos do Estado de São Paulo.  

Nossa diferença com o velho oeste americano é que não tivemos a diligência, mas conseguimos transitar com as carroças e charretes, além de velhas jardineiras, com passageiros apertados nos bancos e viajando também em cima do veículo, no bagageiro.  

No velho oeste americano sempre desembarcava um vilão na diligência, visando ser mais um guarda-chuva do dinheiro fácil. Em Jales desembarcaram heróis e vilões, quase na mesma proporção. E mesmo assim fomos vivendo, aos trancos e barrancos, amando Jales, mas descontentes com as inúmeras injustiças que infestavam a comunidade.  

De repente, não mais que de repente, desembarca em Jales, na transição da década de 60 para a década de 70, um jovem com pouco mais de 19 anos, vindo da cidade de Olímpia, para tentar a sorte na área de comunicação.  

Começa pelo rádio e vai ampliando suas relações com a cidade, participando ativamente de vida, sempre oxigenando o ambiente, revelando sua modernidade e crescente amor à cidade.  

Quarenta anos atrás, num mês de outubro, assume a direção do Jornal de Jales, Deonel Rosa Junior.  

Para tristeza dos pistoleiros, vilões, medíocres, oportunistas etc. e tal, desponta um jornal com linha editorial independente, mantida até hoje. 

Deonel conseguiu fazer do Jornal de Jales a principal trincheira de defesa da cidade, atropelando, com categoria e dignidade, tubarões, baleias, focas, cascavéis, lobos e sanguessuga.  

Com o Jornal de Jales ativo, tem início o maior resgate humano e moral que Jales experimentou em sua história. Na medida do possível todos adversários do bem e da cidade para todos foram contidos ou reprimidos. Criei uma frase reveladora de amor à Jales (a gente sai de Jales mas Jales não sai da gente), sempre prestigiada pelo Jornal de Jales. E o guerreiro Deonel Rosa Júnior fortalece toda semana esse amor a Jales através de seu jornal vencedor.  

O Jornal de Jales é hoje a instituição mais importante da cidade!  

Não fosse o Jornal de Jales, a mentalidade jalesense estaria parada no tempo, lembrando o velho oeste brasileiro, imitação barata do velho oeste americano.  

Graças ao Deonel, temos um jornal que resgata Jales! 


Projeto MEMÓRIA: a história de Jales contada em depoimentos de pessoas vivas  

 Roberto Gonçalves  

(Cientista político, psicanalista e presidente do Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea - IBPC e autor do livro “A Jales que vivi”) 

Desenvolvido por Enzo Nagata