Saúde

Iodo na dose certa

Pedro Oliveira (*)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reduziu a presença de Iodo de 20 a 60 miligramas por quilo de sal para 15mg/kg a 45 mg/kg. A adoção dos novos valores foi divulgada em abril e segue orientação do Ministério da Saúde, que acompanha o perfil de consumo de sal no país. As empresas têm 90 dias para se adaptar aos novos valores, mas a Anvisa adiantou que 93% das marcas avaliadas pela agência já cumprem a nova norma.
A adoção do Iodo no sal faz parte da história das políticas públicas de saúde adotadas no país para prevenção de doenças que atingem uma grande parte da população. A quantia dessa substância variou ao longo dos anos, conforme foram surgindo novos estudos. A adição de Iodo ao sal de cozinha para prevenir moléstias provocadas por sua ausência, ou baixa concentração, tem recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as doenças mais comuns está o bócio, que se caracteriza pela alteração funcional da tireóide, com aumento dessa glândula. A enfermidade também é popularmente conhecida como “papo”, por provocar crescimento da glândula no pescoço. Baixas taxas sanguineas de Iodo levam ainda ao hipertireodismo, e pode evoluir provocando atraso no desenvolvimento e crescimento em crianças e adolescente, entre outras complicações.
Por isso, desde 1953, o Brasil adota a obrigatoriedade de adição do Iodo no sal e, desde 1974, é obrigatória a iodação de todo o sal destinado ao consumo humano e animal. Graças a essas políticas públicas, o país conseguiu reduzir significativamente a incidência do bócio. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 1955 a doença atingia 20,7% da população brasileira. Com a adição do Iodo no sal, este índice caiu para 14,1% em 1974; e chegou a 1,4% em 2000. Foi uma grande vitória para a saúde pública, principalmente nas áreas mais pobres da região Nordeste, que eram as mais atingidas pela baixa concentração de Iodo na composição do solo e, por consequência, ficava insuficiente nos alimentos.
As novas medidas adotadas pela Anvisa mostram a importância de acompanhamento das doenças que atingem grandes segmentos da população. Por outro lado, a adoção de políticas públicas extensivas, como a vacinação em massa, conseguiu deter a expansão de doenças graves e epidêmicas, como a poliomielite, a tuberculose e o sarampo, entre outras.
Um dos novos modelos na área de saúde para facilitar o acesso da população aos medicamentos e orientações médicas vem sendo aplicado por meio das empresas de assistência farmacêutica. Além de oferecer a compra de remédios mais baratos, ele permite ainda um contato regular com paciente por meio de um call center. A população pode ser atendida por especialistas – como médico, psicólogo, enfermeiro, nutricionista e farmacêutico – que oferecem orientação sobre os medicamentos e cuidados com a saúde. Essas orientações podem chegar ao paciente até mesmo via celular; ele pode, por exemplo, ser orientado sobre como tomar corretamente determinado medicamento ou ser lembrado do horário de tomá-lo. São medidas de fácil adoção que facilitam a vida do paciente e oferecem garantias para melhorar o seu bem-estar.

(*) Diretor Médico da ePharma
 

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