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Investimento em conhecimento gera o desenvolvimento

Por SILVIA BARBOSA DE MELO
15 de setembro de 2019
Silvia Barbosa de Melo
Você sabia que o Prêmio Nobel surgiu através do inventor e filantropo Alfred Nobel. Nascido em 1833, em Estocolmo, Suécia e que Nobel tornou-se milionário por causa de suas numerosas descobertas na área de explosivos, em especial a dinamite. Dono de mais de 350 patentes, fundou companhias e laboratórios em cerca de 20 países. Idealista e consciente dos perigos que envolviam o uso indevido de sua invenção, sempre apoiou os movimentos em prol da paz.
Nobel deixou, ao falecer em 1896, uma grande fortuna destinada à criação de uma fundação que deveria financiar, anualmente, cinco grandes prêmios internacionais. Dentre esses prêmios, quatro deveriam destinar-se àqueles que se destacassem em suas descobertas em Física, Química, Medicina e Literatura. Seu testamento especificava também um prêmio para quem mais se empenhasse em prol da paz e da amizade entre as nações. Em 1969, foi acrescentado mais um prêmio, para as Ciências Econômicas.
Entre médicos e físicos premiados, 25% pertencem à comunidade judaica. Para alguns observadores, este dado deve-se ao fato de que talvez tenham o que se chama de vocação. Para outros, a explicação mais lógica é que muitos premiados são oriundos de famílias de imigrantes cuja prioridade era a educação. Muitos sobreviventes do Holocausto costumam dizer que a única coisa que ninguém pôde tirar-lhes na guerra foi sua educação e seu conhecimento. 
Cerca de 30% dos ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina são judeus. Este é um dado significativo considerando-se que apenas 0,3% da população mundial é judia. 
 Ao pesquisar um pouco sobre esse Pais é possível perceber que os campos de Ciência e Tecnologia em Israel estão entre os mais desenvolvidos do mundo. Apesar de sua recente história e de seu pequeno tamanho, o Estado de Israel é cada vez mais visto como um centro de inovações utilizadas em escala global. Através de instituições educacionais de ponta e de uma ampla rede de empresas start-ups, Israel vem se destacando graças à invenções e inovações que rapidamente se espalham pelo mundo. 
Israel é um dos países que mais investe em Pesquisa e Desenvolvimento em relação ao seu Produto Interno Bruto e, em proporção ao tamanho da mão-de-obra, é o que ostenta o maior número de autores publicados nos campos das ciências naturais, engenharia, agricultura e medicina. 
No Brasil a prática do empreendedorismo torna-se cada vez mais frequente como opção de carreira, frente às dificuldades socioeconômicas que reduzem as oportunidades para quem deseja ingressar no mercado de trabalho. Segundo pesquisa do Global Entrepeneurship Monitor – GEM, em uma lista de 34 países, o Brasil está entre os sete que mais empreendem em criação de novas empresas.
Entretanto, apesar do crescimento da prática do empreendedorismo no Brasil, o índice de mortalidade destas empresas, segundo dados do SEBRAE, é de aproximadamente 60%. Dentre as causas do fechamento, destacam-se, em quase 70% dos casos, aquelas classificadas como de origem gerencial. Tais causas estão relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar, de forma correta, itens importantes para o sucesso ou fracasso do empreendimento, tais como o, fluxo de caixa, a concorrência nas proximidades do ponto escolhido e o potencial dos consumidores, ou seja, há um baixo índice de empresários que utilizam ferramentas gerenciais capazes de profissionalizar suas atividades. 
Enquanto observamos paises tão pequeno como Israel investindo em ciência e tecnologia, muitos dos micro e pequenos empresários não dão importância ao simples e básico plano de negócios para a abertura e gestão de uma empresa. Será que a utilização e conhecimento dessas ferramentas gerenciais estão relacionadas à formação acadêmica do empresário? Será que a importância das instituições de ensino, ou cursos sobre gestão de negócios contribuem na capacitação para a atividade empreendedora? Acredito que sim pois muitos cursos bons e ainda gratuitos estão disponíveis, no entanto, não preenchem as vagas. A exemplo de Israel o investimento em educação, conhecimento e tecnologia faz toda a diferença, uma vez que quanto maior o grau de conhecimento de um povo, maior o nível de emprego, renda e maior a possibilidade de empreender por oportunidade. Mas, acredito também que isso é uma cultura de transmissão, pois não há dúvidas que uma das razões para essa significativa participação judaica é a importância que os judeus sempre atribuíram ao estudo e à erudição. O “estudo” ou “aprendizado”, acabou afiando a mente judaica. Gerações após gerações inteiramente dedicadas ao estudo dos textos judaicos resultaram em incontáveis êxitos nos estudos laicos, pois é preciso uma mente inquisitiva para fazer descobertas e ter sucesso em novas áreas do conhecimento. 

Silvia Barbosa de Melo
(empresária, contadora, mestre em Ciências Contábeis e diretora-proprietária da escola de idiomas CNA)