jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

INSCRIÇÕES ABERTAS

“Curso de formação de psicanalistas é para cidades maiores. Abrimos uma exceção para Jales, afirma presidente do IBPC
09 de setembro de 2018
Roberto Gonçalves (presidente IBPC)
Jales vive um momento de crescimento sócio-cultural, com vários de seus filhos se despontando em áreas novas, contribuindo para erradicar a mesmice que manteve nossa cidade estagnada no grito do segura peão e do brega sertanejo.
Um dos filhos de Jales que sempre repete a frase “ A gente sai de Jales, mas Jales não sai da gente “ é Roberto Gonçalves, psicanalista, sociólogo, teatrólogo, historiador, cientista político e escritor. 
Embora não resida em Jales de corpo, mora em nossa terra de alma, sendo um dos principais líderes do movimento de modernização do pensamento e da cultura jalesense, conforme vamos descobrir nesta entrevista.

J. J. - Você acaba de escrever um livro sobre a história de Jales, sem pesquisa, apenas recorrendo a memória do período que viveu aqui, nos primeiros dezoito anos de sua vida. Você tem noção da influência de uma obra dessa na cabeça das pessoas? 
Roberto Gonçalves - Confesso que não esperava uma noite de autógrafos tão movimentada. Saí de Jales em 1964, mais de meio século e de repente a cidade homenageia meu trabalho como se vivesse por aqui durante toda minha vida. Minha alegria foi além de todas expectativas. 

J. J. - O sucesso de sua noite de autógrafos foi decisivo em sua decisãode abraçar o projeto de modernização de Jales ? 
Roberto Gonçalves - Na verdade, já existe projeto de modernização cultural jalesense desde a vinda de Deonel Rosa Junior, diretor do Jornal de Jales. Muitas vezes um lobo solitário, tal a resistência dos setores mais conservadores e atrasados da sociedade jalesense. 
Mas a persistência do J.J., com cadernos tipo Projeto Memória, entre 1995 e 2004, tem balançado a cabeça das pessoas na direção do moderno e combatendo o atraso. Não houvesse o J.J., Jales seria menor em todos os campos de atividades. 

J. J. -  E agora você decidiu criar seu Projeto Jales, trazendo o Curso de Formação de Psicanalistas para nossa cidade. Explique melhor tal decisão, porque muitas pessoas não entenderam sua escolha da Psicanálise para ajudar a modernização de Jales.
Roberto Gonçalves - No Brasil, os cursos de formação de psicanalistas são ministrados nas capitais ou nos grandes centros urbanos. A psicanálise tem fama de elitista porque é desconhecida da maioria da população brasileira. E no fundo, para falar a verdade, a psicanálise brasileira tem tal tendência, porque não descobriu ainda a importância de sua existência na sociedade como fator de modernização do pensamento. 

J. J. - Sendo assim, como é que a psicanálise veio parar em Jales? 
Roberto Gonçalves - Porque fui eleito Presidente do Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea, instituição que tem, além da formação de psicanalistas, compromisso com a modernidade social, extrapolando o divã e trabalhando a sociedade no sentido de modernizar o pensamento.  E Jales conquistou o curso graças a meu argumento de que a psicanálise só pode penetrar no interior do Brasil se vencer o preconceito de que só deve funcionar nas grandes cidades. E Jales, pasmem os senhores, é a menor cidade do mundo onde se instalou o curso de psicanálise.  

J. J. - Houve procura pelo curso? 
Roberto Gonçalves - Mais do que o esperado. Passamos de quarenta alunos. E a próxima turma, que começará dia 27 de outubro, já tem 20 alunos.  Aliás, meu projeto é fazer de Jales um centro nacional de psicanálise, trazendo para nossa cidade os melhores cérebros do Brasil, promovendo seminários, palestras, formação de doutores, convênios, etc. 

J. J. - Muita gente não tem a menor noção de psicanálise, exatamente porque ela não existe por aqui. Afinal, qual a diferença da psicanálise com as demais formações que cuidam da “cabeça”? 
Roberto Gonçalves - O Neurologista cuida do cérebro e precisa ter formação médica. O Psiquiatra cuida das psicoses e também precisa ter formação médica. O Psicólogo cuida do comportamento e o Psicanalista trata as neuroses.

J. J. - Freud é o pai da psicanálise. Médico neurologista, sempre lutou contra o uso de remédios, afirmando que a psicanálise é a cura pela palavra. Explique melhor essa posição de um médico renomado como Freud dizer que o único remédio é o divã?
Roberto Gonçalves - Freud descobriu, exatamente por ser um médico de alta genialidade, que uma pessoa deitada no divã, estimulada a falar, vai, aos poucos liberando suas neuroses. E até hoje a psicanálise é uma área da medicina, desejo maior de Freud. 

J. J. - Mas a psicanálise também transita pela filosofia, conforme podemos observar nas entrevistas de psicanalistas, geralmente intelectuais de primeira grandeza. É essa intelectualidade da psicanálise que você traz para Jales, em seu projeto de modernização do pensamento da cidade? 
Roberto Gonçalves - Sem falsa modéstia e também sem arrogância, ouso dizer que onde a psicanálise entra, a ignorância se afasta e as luzes do pensamento se acendem. Jales haverá de viver a grandeza da modernidade. É meu sonho principal.