segunda 21 setembro 2020
Arquibancada

Injustiça e covardia

Constantes salários atrasados, dívidas que aumentam a cada dia, amadorismo da diretoria e um futuro recheado de incertezas. Essa é a dura realidade do Santos. Em meio ao péssimo momento vivido pelo clube, o técnico Jesualdo Ferreira foi demitido na última semana de forma injusta e aumentou ainda mais a crise na Vila Belmiro às vésperas da estreia no Campeonato Brasileiro.

Contratado no início do ano, o treinador português não fez trabalho ruim, foi profundamente atrapalhado pela séria crise política enfrentada pelo Peixe, nunca reclamou da instabilidade do clube, do elenco enfraquecido e acabou dispensado de forma covarde pelo presidente José Carlos Peres.

Substituto de Sampaoli, Jesualdo assumiu o Santos com um elenco desfalcado após a saída de jogadores importantes como Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Felipe Aguilar, Jorge, Derlis González e ainda perdeu o meia Evandro durante a pandemia. Em relação a reforços, recebeu Pará, Madson, Raniel e, no mês de março, soube que o clube estava proibido de registrar novos jogadores por dívida na compra do zagueiro Cleber Reis.

Nesse cenário catastrófico, Jesualdo garantiu 100% de aproveitamento nos dois primeiros jogos da fase de grupos da Libertadores, porém sofreu derrotas amargas em clássicos diante de Corinthians e São Paulo, empatou com o Palmeiras e viu a pressão crescer antes da pandemia.

No retorno do futebol, as dificuldades aumentaram, Everson e Sasha entraram na justiça contra o clube pedindo a rescisão de contrato por causa dos salários atrasados e, depois de cinco dias da eliminação do Paulistão, a diretoria demitiu o treinador que chegou a dar dois treinos na semana da estreia no Campeonato Brasileiro.

Em meio a crise política e as lambanças do presidente Peres, Jesualdo provou que é ético, íntegro, nunca expôs o clube mesmo em meio a tantas dificuldades, jamais reclamou dos diversos problemas e, mesmo com 74 anos, no grupo de risco durante a pandemia, não deixou o time na mão em nenhum momento.

A saída de treinador é o símbolo da incompetência da diretoria santista e evidencia que neste momento a equipe é um barco à deriva afundado em uma administração despreparada, desqualificada, amadora e sem nenhuma convicção na tomada de decisões.

Refletindo sobre o futuro, o ponto de interrogação é enorme e as categorias de base, até o momento, não surgem como a possível salvação do ano. Para o restante da temporada, resta ao torcedor a expectativa de um bom trabalho do próximo técnico e a esperança que atletas fundamentais como Sánchez, Marinho e Soteldo, não deixem o clube e evitem o risco de uma possível luta contra o rebaixamento no Brasileirão.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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