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(IN)DEPENDÊNCIA E/OU MORTE?

Perspectivas por marcelo jacomini moreira da silva
08 de setembro de 2019
Marcelo Jacomini Moreira da Silva
Conseguimos, ou melhor, é possível a tal independência, que este ano completa seus 197 anos? Sob aspecto legal, sim, somos um Estado independente. Aliás, nós mesmos, a partir dos 18 anos de idade, somos independentes, obtemos nossa CNH, abrimos contas no Nubank. Que ótimo! Só falta o carro que precisamos pedir emprestado aos familiares, o dinheiro está meio difícil com o desemprego, então somos independentes?
Não está tão difícil assim, é só uma questão financeira. Resolvido esse pequeno detalhe, carro próprio, dinheiro na conta, e viva a MINHA independência! Já posso fazer tudo que pretendo, afinal EU sou independente, pelo menos até a próxima demissão em massa, quando será a vez da independência de outros.
Quantos esse ano proclamaram “Netflix ou morte!”, “Facip ou morte!”; não foram à Facip, cancelaram a Netflix; e estão por aí, caminhando com passos próprios. Que morte que nada, afinal morrer não garante independência, e talvez não seja uma boa opção se pensarmos bem.
Está tão ruim que jogamos a moeda do tudo ou nada? Precisamos mesmo recomeçar do zero? Ninguém teria nada para nos ajudar a partir da condição que estamos? Ou senão, não temos nada para ajudar àqueles ao nosso convívio? 
O radicalismo seja de estados, comunidades ou nosso mesmo, tem apresentado resultados catastróficos ao redor de todo o mundo. Pirâmides de desigualdades, que indicam uma pequena parcela da população com a maior parte dos recursos disponíveis, podem ser repetidas para diferentes áreas: riqueza, acesso à saúde, disponibilidade de água, alimentos etc.
A independência moderna, certamente, é ladeada pela questão financeira, mas não existe independência individual dentro de uma sociedade onde diversos aspectos estão interligados. É difícil e não serei EU independente se estiver inserido em uma sociedade de desigualdades engessadas. 
Frente à morte passaram muitos por amar seus semelhantes. O  exemplo secular está em Jesus Cristo e seus seguidores dos tempos atuais, cultivando uma sociedade onde liberdade, igualdade e fraternidade devem ser sentidas tanto por quem oferece a vida como por quem escapa da morte. Considerado o Reino de Deus proposto por Jesus é traduzido por Frei Betto como “é ilusão uma atividade empresarial justa dentro de um sistema iniquo”, ou ainda expressa por Frei Tito, que mesmo após as torturas sofridas nos porões do DEOPS durante a ditadura, considerou que “prova 
de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!”, pois pior do que a morte propriamente dita seria viver no egoísmo, isso sim tiraria nossa vida; imortalizando sua celebre frase: “É melhor morrer do que perder a vida”.
Doar-se; doar-nos; ações individuais, apoiadas em exploração e egoísmo, resultarão apenas em uma (in)dependência degradável e uma morte em suaves prestações.

Marcelo Jacomini Moreira da Silva
É doutor em engenharia, Professor Universitário e Integrante da Pastoral da Cidadania de Jales – SP.