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Igreja e Política

por OSMAR GABRIEL
20 de maio de 2018
Osmar Gabriel
Sou católico praticante e tenho presenciado de maneira lamentável que muitos de nós não entendemos ainda a diferença entre política e dinâmicas partidárias, e nem tampouco entendemos o que significa a separação entre Igreja e Estado, confundimos com a suposta separação total entre Igreja e a política. 
A palavra ”política” é de origem grega que quer dizer: “polis” significando “cidade”. Então se entende que a política é a “gestão da cidade”, da comunidade, da vida social, com o objetivo único de focar no bem comum. E assim requer essa gestão, obviamente, a participação de todos os cidadãos. Nesse raciocínio entendemos então que, “Política”, significa o poder de decisão: tanto no poder pessoal de decisões sobre a própria vida, o poder de participar nas decisões da própria comunidade. Sendo assim entendemos que todo ser humano é um ser político neste sentido.
Mas, observamos nesses últimos anos e durante toda sua história, esse poder de decisão tem sido sorrateiramente terceirizado a “representantes” dos cidadãos. Nessa chamada “democracia”, eles se organizam em partidos que em teoria defendem propostas de gestão de comunidade, o que na prática não se sabe no final qual exatamente é a proposta que defendem. 
Na época das eleições prometem um plano de gestão eficiente e eficaz para o bem comum da população e, na realidade, nada disso ocorre aliando- se de maneira pouco coerente com as propostas que supostamente defendem.  
Nessa confusão de “gestão de comunidade” feita pelos representantes do povo, surge no meio do próprio povo a errônea ideia de que “política” é simplesmente uma dinâmica partidária, com todos os famosos “bastidores”, onde os escândalos de corrupção explodem todos os dias. Então a dinâmica partidária é apenas um aspecto da política: não é “a” Política.
Nós, católicos, temos o dever de entender essa diferença para, em seguida, exercer o dever de fazer sua parte na boa gestão da comunidade. Devemos todos promover o bem comum e não ficarmos de braços cruzados. Daí a fazer “politicagem” tem uma enorme diferença. 
Nós, católicos, não podemos fazer “politicagem”. Nós temos sim que participar da política de uma maneira fiel a Boa Nova de Jesus Cristo que nos determinou e assegurou que todos nós somos filhos de Deus e nos fez um convite: ”amar uns aos outros como Ele nos amou e os ama”. 
Então chegamos à conclusão de que isto exige um comprometimento com o bem comum. Em uma de suas audiências na Sala Paulo VI, em Roma no Vaticano, o Papa Francisco respondeu com segurança quando foi perguntado sobre como deve ser o nosso compromisso evangélico em meio à sociedade, por conseguinte, à vida política. 
O Santo Padre respondeu com clareza: “É obrigação de todo cristão envolver-se na política, e não fazer como Pilatos que lavou suas mãos. Devemos nos envolver na política porque ela é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum”. Devemos como leigos e cristãos batizados trabalhar na política. 
Nosso bispo diocesano, Dom Reginaldo, tem sido enfático em suas homilias cobrando mais justiça social a partir dos nossos governantes, defendendo o bem comum nas comunidades e muitas vezes sendo incompreendido. Todo o profeta na bíblia ao longo de sua história foi massacrado, execrado, martirizado por pedir mais justiça social.
É fácil dizer que a culpa é dos outros… Mas eu, o que eu faço? Isto é um dever! Trabalhar pelo bem comum é um dever do cristão.

Osmar Gabriel
(Corretor de Imóveis
RG 8.320.382)