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Ídolos, mas não deuses

por Lucas Rossafa
21 de janeiro de 2018
Lucas Colombo Rossafa
A gratidão é um sentimento de reconhecimento, uma espécie de dívida para querer agradecer uma pessoa por ter feito algo benéfico. Trata-se de uma das principais virtudes do ser humano. No futebol, entretanto, ela nem sempre é bem-vinda.
Neste universo, uma das maneiras mais nobres de um clube é a de valorizar o ídolo. O erro, ultimamente, é como esse enaltecimento tem sido feito. Em janeiro de 2016, o São Paulo repatriava Diego Lugano depois de uma década. O zagueiro vinha de passagens irregulares pela Europa e pelo Paraguai. Em duas temporadas no Brasil, foram apenas 36 partidas, dois gols e sem nunca ter tido uma sequência interessante como titular. 
Dentro de campo, o desempenhofoi bem ruim. Para quem assistia aos jogos do Tricolor, era nítido que o atleta de 37 anos não tinha mais o vigor físico de outrora. Foi presa fácil para os atacantes adversários. A diretoria trouxe um jogador com identificação, graças aos títulos de 2005, mas que, na verdade, não tinha condições de atuar profissionalmente pela instituição. Com salários de R$ 280 mil durante um ano e meio, o prejuízo foi alto.
O mesmo acontece no rival Corinthians. O presidente Roberto de Andrade concordou em renovar o vínculo de Danilo em novembro passado, mesmo com o meio-campista tendo feito apenas duas partidas em 2017. Com sete títulos no currículo pelo Timão, o jogador de 38 anos sofre com seguidas lesões, não contribui dentro de campo e a parte física está longe de ser a ideal. Ou seja, paga-se – e caro – por alguém cujo custo-benefício é desfavorável.
Se já não bastasse Danilo, sem motivos plausíveis, o Alvinegro acertou a contratação de Emerson Sheik, ícone da Libertadores de 2012, até o final de junho, após fraca passagem pela Ponte Preta, quando fez parte do elenco rebaixado. A imprensa de São Paulo ainda teima em elogiar a sua postura em Campinas, mas quem o acompanhou de perto viu a falta de comprometimento e a duvidosa forma física.
Levando em consideração tais exemplos, conclui-se que os clubes se veem refém dos grandes ídolos. Repatriam-se atletas que prestaram bons serviços em um passado longínquo, mas que, na realidade, não produzem frutos para justificar os contratos. Se foram heróis há alguns anos, são alvos de justas críticas no presente.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

Twitter @lucas_rossafa