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Hora de vender lenços

Editorial
03 de setembro de 2017
A divulgação do número de habitantes dos 5.570 municípios brasileiros provocou pelo menos duas reações diametralmente opostas, mas ambas preocupantes.
Se nos grandes centros o crescimento populacional aferido na Estimativa do IBGE colocou em estado de alerta máximo os prefeitos, todos  preocupados com a possibilidade de colapso na prestação de serviços, principalmente de saúde e educação, nos municípios médios e pequenos os números levaram a um certo clima de frustração.
Para não ir muito longe, basta citar dois casos. Em Fernandópolis, o prefeito André Pessuto (DEM),  não gostou de saber que, segundo o IBGE, seu município não chegou a 70 mil habitantes, da mesma forma que, em Jales, o prefeito Flávio Prandi Franco (também do DEM) não disfarçou um certo desapontamento pelo fato da  cidade não ter rompido a barreira dos 50 mil habitantes, embora até o Google crave esse número, ao contrário da Estimativa do IBGE que atribui 49.160 habitantes para o Jalão Tropical.
Tal inconformismo não é novo. Em 1978, o então prefeito José Antonio Caparroz chegou a pedir recontagem por discordar dos números do IBGE  
O chororô tem razão de ser. Como se sabe, as estimativas do número de habitantes  são usadas pelo Tribunal de Contas da União para calcular o valor do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Ou seja, quanto maior a população, maior é o repasse do governo federal. E, como se sabe, o FPM tem muito peso nos orçamentos municipais. 
Mas, como reza a lenda, em época de dificuldades, enquanto uns choram, outros, mais práticos, preferem vender lenços.
Pois bem, se abraçar a segunda hipótese, o prefeito Flá, que vem arrancando aplausos da torcida, precisa continuar investindo em ações que façam a diferença e contribuam para aumentar a população.
A geração de empregos é uma boa saída, pois desperta o interesse de quem quer morar aqui. Sob este aspecto, o chefe do Executivo também vem sendo bafejado pela boa sorte. Só neste mês, passará a funcionar um novo supermercado ao mesmo tempo em que um dos frigoríficos retomará suas atividades. Só nestes dois casos, 400 chefes de família sairão da fila do desemprego.
Outra boa clientela para comprar lenços é a que frequenta faculdades. Neste sentido, vale continuar insistindo na instalação do campus de uma universidade federal, luta que foi deflagrada em 2009 e, apesar de várias mobilizações, e  até de audiência com a então presidente Dilma Rousseff, ainda não decolou.  .  
 Se o prefeito, os vereadores e as lideranças comunitárias somarem forças em torno destes objetivos, o Censo de 2020 certamente apontará a existência dos   50 mil habitantes, com todos os bônus decorrentes da nova situação.