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“Homens lixo”

Perspectivas por Ayne Regina Gonçalves Salviano
28 de julho de 2019
Ayne Salviano
O nome de Gabi Cattuzo é bem conhecido no mundo dos gamers. Ela é uma influenciadora digital cujo trabalho é jogar e comentar suas partidas online. Porque é boa no que faz, tinha o patrocínio de uma empresa com produtos voltados a esse público. Mas um dia, nos fins de junho, ela enfezou e enfrentou um macho em uma rede social.  
Gabi tinha postado uma foto em um touro mecânico. No comentário, o homem sugeriu que ela montasse nele. Cansada de ser sexualizada, ela resumiu sua ira em uma expressão: “homem é lixo”. Foi o suficiente para o “Clube do Bolinha” ter um ataque de “mimimi” e pedir que a empresa cortasse o ganha-pão da profissional. A Razer cedeu e perdeu a chance de ser uma Nike (que fez a propaganda “O que uma louca pode fazer” em um contexto bem diferenciado).
Perseguida, xingada, ameaçada de morte, entre outras violências, Gabi cedeu. Pediu desculpas públicas pela generalização, pois nem todos os homens são lixo. Ao mesmo tempo, conseguiu provar que a herança patriarcal do cultivo exagerado ao machismo chega ao extremo por atos mínimos e pode ser letal se a mulher não se proteger.
A verdade é que os homens brasileiros menos esclarecidos não estão acostumados, ainda, a ver a mulher em todos os lugares, por isso se incomodam quando elas despontam nos jogos online, nos campos de futebol e em tantos outros territórios antes dominados só por eles. 
Que o digam as deputadas federais recém-eleitas que diariamente enfrentam gracejos no Congresso e quando não correspondem, são ofendidas, tratadas como incapazes. Tabata Amaral, 25 anos, dois diplomas de Harvard e no primeiro mandato, deu extensa entrevista para a BBC Brasil sobre o esse assunto.
A verdade é que deve estar sendo bem difícil para os homens com criação machista sobreviverem. Ter que ver mulheres ganhando espaço e respeito todos os dias é quase insuportável para eles. Elas são maioria nas universidades e representam quase 49% da força do mercado de trabalho. Empoderadas, já podem escolher se querem ou não marido ou parceiro sexual. Temos uma nova realidade, enfim.

Ayne Salviano
(é jornalista, professora, mestre em Comunicação e Semiótica, gestora do Damásio Educacional Araçatuba)