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Governo tem que cortar privilégios, afirma ex-ministro da Previdência

por Luiz Ramires
27 de novembro de 2017
Ex-ministro Gabas: é possível pagar as contas sem cortar direitos
O ex-ministro da Previdência nos governos Lula e Dilma (entre março de 2010 e janeiro de 2011 e entre janeiro e outubro de 2015), Carlos Eduardo Gabas, esteve em Jales, no dia 22 de novembro, terça-feira, quando afirmou que como a equiparação do teto para aposentadoria de servidores públicos e de empresas privadas já vigora desde 2012 o desafio é impedir os aumentos abusivos dos salários e privilégios. Ele explicou que a equiparação está provocando uma corrida por categorias de servidores ao aumento dos seus salários que com os benefícios chegam a mais de R$ 500 mil, achando que tudo está normal. Lembra que hoje os salários de muitos servidores estão passando de R$ 100 ou 200 mil porque eles sabem que vão se aposentar com R$ 5.600,00. 
O ex-ministro lembrou que desde o governo Lula já se falava em reforma para equacionar o problema previdenciário, tanto que foi feita a mudança para que todo trabalhador que ingresse no funcionalismo público só vai poder se aposentar pelo teto do regime geral. 
O governo, segundo Gabas, extinguiu o Ministério da Previdência e passou tudo para o Ministério da Fazenda para fazer os cortes contra os que ganham menos, resultando nessa reforma absurda que só vai piorar a vida dos mais pobres, sem que nenhum sacrifício seja imposto aos grandes devedores que inclusive estão sendo beneficiados com parcelamentos de débitos nessa área, onde se incluem, segundo ele, mais de 170 deputados federais. A reforma, segundo ele, não passa de um pacote de maldades contra os que ganham menos, pois se a Previdência estivesse quebrada, não poderia perdoar mais de R$ 200 bilhões de reais de dívidas. 
Segundo o ex-ministro, a reforma não tem qualquer relação com equilíbrio de contas, mas sim de reduzir a proteção da previdência pública transferindo para a privada, forçando que as pessoas comprem previdência privada, reduzindo ainda mais a proteção social. A reforma, como afirmou, só vai mexer com o trabalhador rural, o deficiente e o idoso pobre que têm um direito humano previsto na Constituição.

SÓ EMREGADOS
O ex-ministro defende uma reforma na previdência, tanto que quando foi ministro procurou estudar os sistemas previdenciários e as reformas feitas em vários países, quando fez uma pós-graduação em sistemas de gestão de seguridade social em Madri. Concluiu que é possível pagar as contas sem cortar um direito, apenas diversificando as formas de financiamento que no Brasil tem como base a massa salarial. Isso fica complicado com a tecnologia que já vem substituindo a mão de obra há muito tempo, sendo que as empresas continuam aumentando seus lucros, reduzindo a contribuição, quando deveria ser o contrário. 
Além disso, segundo Gabas, é preciso abrir a discussão para saber quem paga e quem não paga, quem está devendo, quanto de gasta, quais a s despesas que não são da previdência, mas estão na conta da seguridade social e que passam de 30% do total e assim por diante. Ele afirma que não se pode admitir reforma sem essa discussão.

CONTRAMÃO
O Brasil, segundo o ex-ministro é um dos países com mais concentração de renda e as reformas do governo só reforçam isso, quando o certo seria promover o desenvolvimento. A previdência segundo ele está nas mãos dos banqueiros, pois o ministro da Fazenda Henrique Meirelles é um banqueiro e está trabalhando para privilegiar os bancos.
Uma das maiores crueldades que está sendo armada contra os trabalhadores e que já tem medida provisória assinada pelo presidente Michel Temer segundo o ex-ministro é que pela reforma trabalhista o trabalhador que trabalhar por hora e não conseguir ganhar o salário mínimo vai ter que completar a diferença da contribuição mensal para a previdência tirando do próprio bolso, tendo que preencher guia e pagar no banco.