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Goleada ou olho mecânico?

Editorial
28 de outubro de 2018
Se nada aconteceu de extraordinário nas últimas 48 horas como, por exemplo, o candidato ter sido flagrado espancando algum velhinho no meio da rua, o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSL) deverá ser eleito hoje, 28 de outubro, em 2º turno, presidente da República. 
Durante a semana, analistas, cientistas políticos, marqueteiros e donos de institutos de pesquisas davam como improvável uma virada de Fernando Haddad (PT), dado o pouco tempo para diminuir a vantagem de 13 pontos percentuais (57% a 43%) que separavam os dois contendores. 
No 1º turno, com 13 candidatos na disputa, Bolsonaro teve 46,03% e Haddad, 29,28%, deixando na poeira, entre outros, o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), a ex-ministra Marina Silva (Rede), o senador Álvaro Dias (Podemos), o empresário João Amoedo (Novo) e outros menos votados.
Em Jales, houve um verdadeiro massacre. Ou, em linguagem futebolística, uma goleada.  Bolsonaro teve 16.319 votos (62,89% dos votos válidos). Seu mais direto concorrente, Geraldo Alckmin não passou de pífios 3.074 (11,89%).
De onde veio o “furacão”? Segundo o cientista político Miguel Lago, cofundador da rede “Meu Rio” e diretor da ONG “Nossas”, a principal razão é a característica midiática de Bolsonaro, por ele definida como o “maior youtuber do Brasil”. Além de carismático, ele sabe muito bem usar as redes sociais, acrescentou Lago, o que é um sintoma do impacto da tecnologia na sociedade. 
Se Bolsonaro já se considera “com a mão na faixa”, como afirmou dias atrás, o mesmo não acontece para a disputa pelo governo de  São Paulo, com João Dória (PSDB) e Márcio França (PSB) passando todo o período de campanha no 2º turno em situação que os institutos de pesquisas chamam de empate técnico dentro da margem de erro.  
No primeiro turno, deu Dória em Jales. Ele recebeu 9.239 votos (41,77% dos votos válidos), seguido por Paulo Skaf, do MDB, com 4.457 votos (20,15%) e Márcio França, do PSB), com 4.071 votos (18 41%). 
Como Dória colou seu nome ao de Bolsonaro e França recebeu o apoio de Skaf, tudo indica que a disputa estadual será decidida na base dos que apreciam corridas de cavalos chamam de “olho mecânico”.
Respeitadas as preferências de cada eleitor, uma pergunta não quer calar: o que seria melhor para os interesses políticos de Jales na disputa estadual: Dória ou França?
Para a maioria, a resposta parece óbvia: Dória. Nem tanto por ele, mas pelo seu vice Rodrigo Garcia (DEM), deputado federal mais votado em Jales em 2014, com 11.800 votos, a maior da história, com significativa folha de serviços prestados à comunidade, detentor do título de cidadão jalesense e padrinho político do atual prefeito Flá. 
Porém, ninguém sabe o que sai dos cliques dos eleitores na urna eletrônica. Vai daí, é mais prudente não arriscar prognóstico. Ensinam os antigos que “eleição e mineração é só depois da apuração”.