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Geada atinge Jales e cidades da região e modifica paisagens

A vegetação estava “branca”, como eles mesmos descreveram
25 de julho de 2016
A geada atingiu propriedades rurais de toda a região e mudou a paisagem dos locais
Os moradores da zona rural tiveram uma grande surpresa ao acordarem na manhã de segunda feira e olharem a pastagem de suas propriedades. A vegetação estava “branca”, como eles mesmos descreveram. O motivo da mudança na paisagem foi a queda brusca de temperatura que houve na noite de domingo, dia 17, para segunda feira, dia 18, ocasionando assim uma geada. Fenômeno natural ocorrido quando os termômetros marcam perto de 0 ºC, fazendo assim com que os cristais de água existentes nas superfícies ficassem sólidos.
Segundo a Estação Metereológica  Instituto Nacional de Metereologia em Jales, às 4 horas da manhã do domingo, o termômetro marcava 6 ºC, porém essa temperatura pode ter sido ainda menor em regiões baixas.
“Meu marido me chamou pela manhã, e quando olhei, o pasto estava todo branco”, contou Denise Aparecido Francisco, moradora do Ribeirão Lagoa em Jales. Ela contou ainda que esse fenômeno é prejudicial para eles que possuem criação de gado, visto que consequentemente agora a pastagem vai secar, deixando assim os animais sem alimentos. “Agora precisamos comprar ração para dar ao gado”, disse.
Foi o que também falou o pecuarista João Marcos, do Sítio Bom Vista, Córrego do Gregório, em Turmalina, local que também foi atingido. Ele concordou que a geada afeta drasticamente o capim e as plantações, porém disse que, olhando por outro lado, o fenômeno é benéfico, pois elimina insetos que prejudicam a produtividade, como carrapatos e moscas. “Agora inevitavelmente o capim vai secar, mas quando se regenerar vai nascer muito mais saudável”, explicou.
Já para Sydnei Bueno, da Estância Pirão em Jales, a dificuldade foi conseguir sair com sua caminhonete. A crosta de gelo formada no vidro do veículo impossibilitava a visão do pecuarista, que precisou jogar água para a camada se desfazer.
A geada atingiu também as cidades de Paranapuã, Mesópolis, Vitória Brasil, Dolcinópolis, Urânia,  General Salgado, Santa Albertina, Aspásia,  entre outras cidades da região.

MEMÓRIA - Maior geada da região completa 41 anos, lembra Chico Melfi
Há 41 anos, justamente no mesmo dia 18 de julho, data em que esse ano foram marcadas as temperaturas mais baixas do ano em Jales, a região era atingida pela pior geada de sua história, a qual destruiu completamente dezenas de plantações agrícolas, principalmente as de café,  “carro chefe” da economia local.
Foi um dia de muita tristeza, contou o jornalista Francisco Melfi, que já residia em Jales nesse período. Segundo ele, esse acontecimento teve conseqüências catastróficas para a economia da região, deixando centenas de agricultores sem saber o que fazer.
A alternativa encontrada foi criar grupos de estudos, a fim de juntos pensarem como poderiam sair dessa situação. O principal foi o Grupo de Estudos para o Desenvolvimento de Jales, formado por autoridades técnicas e os próprios cafeicultores. Vieram também alguns institutos de pesquisa, como o Instituto 18 de Julho e o IPPH – Instituto Paulista de Promoção Humana.

SOLUÇÃO
A alternativa encontrada na época, conta Melfi, foi diversificar a agricultura regional, para que assim os produtores não ficassem tão dependentes de uma única cultura. Surgiram então as plantações de uva, laranja, e outras frutas.
Como os produtores não tinham muito conhecimento de como cultivar essas plantas frutíferas, foi trazido uma das maiores autoridades em irrigação do país, o professor Dirceu Brasil Vieira, que instruiu os interessados.
Mesmo já tendo se passado tantos anos, Francisco diz que os jalesenses não podem esquecer daquela geada de 1975, pois foi a partir daí que Jales mudou seus rumos (RH).