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Futebol não é brincadeira

por Lucas Rossafa
24 de setembro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Menos de 24 horas depois do gol irregular de Jô – que garantiu a difícil vitória do Corinthians sobre o Vasco – e das infinitas discussões a respeito da possível falta de honestidade por parte do atacante, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) surpreende novamente: a implantação do árbitro de vídeo ainda nesta edição do Brasileirão. 
É inquestionável a introdução da tecnologia no futebol, até porque a maioria das modalidades esportivas é contemplada com este recurso. Tal medida é responsável por reduzir os erros daqueles que comandam as partidas, o que proporciona maior justiça e isonomia ao espetáculo. Entretanto, o tema torna-se pauta pela forma e momento em que foi instaurada.
Ao adotar essa estratégia, o órgão máximo do futebol brasileiro cai, mais uma vez, no contraditório. Há uma semana, a entidade se recusava a usar o profissional do vídeo em suas competições por causa do alto custo operacional – R$ 30 mil por jogo. Mas o panorama virou graças a um equívoco imperdoável do assistente em Itaquera. E a mudança de mentalidade jamais pode ser explicada pela ausência de dinheiro –a instituição movimenta bilhões e é alvo de corrupção com frequência –, mas sim por falta de vontade de fazer as coisas acontecerem. Em outras palavras, os mandatários prezam por atitudes que evitem dificuldades e responsabilidades.
Vale destacar, também, que lances polêmicos são acontecimentos normais de um jogo de futebol. Com ou sem tecnologia, eles vão existir e jamais serão extinguidos por completo. O principal problema, neste cenário, é saber como lidar quando essas situações conflitantes acontecem. Antes de ser posto em prática, é fundamental estudo, treinamento e execução. Trata-se de um projeto promissor, que precisa ser analisado com cuidado e atenção, já que as possibilidades de êxito são grandes. Porém, o modo pelo qual foi proposto significa colocar uma ideia imprescindível numa barca furada.Ou seja, é a receita ideal para atrair o erro e, em seguida, afirmar que nada presta.
Outro absurdo é que o regulamento não obriga o árbitro de vídeo em todos os jogos. De acordo com os artigos 75, 76 e 77, a tecnologia só será acionada quando houver condições técnicas e materiais. Todavia, a mesma norma deve valer para todos, sem distinção. A tendência, assim, é que os times com menor poder de investimento (leia-se os menos favorecidos socioeconomicamente) não sejam contemplados com o recurso. Para tanto, é preciso dar tempo – e aporte financeiro – para os times se adaptarem às novas ordens, o que passa, obrigatoriamente, por melhor distribuição das cotas de televisão, por exemplo.
A CBF, objeto de incoerência há anos, altera as regras com o campeonato em andamento, introduzindo normas distintas para um mesmo torneio. É inaceitável se ter X rodadas com uma fórmula e Y baseadas em um modelo oposto. 
Logo, criar um regulamentofixo érequisito obrigatório, visto que a lei institui a ordem. Eela só terá eficiência a partir do instante em que jogadores e técnicos entenderem, de fato, o que é válido ou não. Afinal, o futebol envolve milhões, injetados por patrocinadores e investidores, e não pode ser tratado como brincadeira.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas)