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Frei Betto fez palestra sobre a vida moderna e as novas formas de escravidão

Em palestra em Jales o frade dominicano, autor de 62 livros afirma que o pior comportamento é a omissão
13 de agosto de 2017
Frei Betto: “é preciso entender e praticar o Evangelho para não nos tornarmos dependentes e omissos”
“Quem tem medo de política é governado por quem não tem”. Partindo dessa frase, o frei Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido por Frei Betto, de 72 anos e com nada menos do que 60 livros publicados, falou para uma plateia de mais de 300 pessoas formada basicamente por estudantes e membros da comunidade católica ligados à Pastoral Universitária. 
A palestra aconteceu na manhã do dia 10 de agosto, quinta-feira, no salão de eventos da Escola Vocacional de Jales com a presença do bispo Dom Reginaldo Andrietta, do bispo emérito de Jales Dom Demétrio Valentini e do bispo de Votuporanga Dom Moacir Aparecido de Freitas, além de padres de vários municípios da diocese.
Na avaliação de Frei Betto, o pior que um cristão pode fazer é se omitir, pois quando se omite, outro toma seu lugar. Não adiante rezar, pedir a Deus e aos santos se o pedido não vier acompanhado da ação ou do propósito de refletir sobre o que pode ser feitos pelos que precisam, afirmou.
Sobre o tema da palestra “Formas de escravidão na sociedade moderna”, Frei Betto abordou rapidamente a escravidão que persiste no país, apesar das leis, lembrando que não existe interesse das autoridades em punir essa prática. Lembrou ainda que no Brasil existem mais de 14 milhões de desempregados e não se respeita os três direitos que segundo o Papa Francisco, toda pessoa precisa ter: ao trabalho, a um teto e à terra.

ESCRAVIDÃO MODERNA
A palestra foi mais centrada no que o frei considera como sendo a escravidão moderna, sufocada pelo capitalismo que cria necessidades de consumo, começando logo na infância e adolescência, levando as pessoas a se tornarem dependentes de falsas necessidades.
O sistema, segundo ele, também gera o medo, fazendo com que as pessoas se tranquem para fugir da violência em suas prisões particulares. 
Outra situação é a dependência das redes sociais que além de fazer as pessoas perderem horas no celular ou no computador, num processo alienatório, também muitas vezes provocam falsas necessidades, criando situações de estresse e até de depressão. 
Frei Betto concluiu citando passagens do Evangelho para afirmar que o mesmo não é para ser decorado, mas entendido, interpretado e praticado, pois sem o entendimento e a prática, tudo não passa de decoreba, sem qualquer sentido. 

QUEM É
Frei Betto foi preso durante a ditadura militar, tornando-se mais conhecido e respeitado pela sua atuação em defesa dos direitos da maioria, o que também foi destacado na sua palestra, lembrando que no Brasil nem dá para se falar em direitos humanos quando grande parte da população ainda não tem nem aqueles três direitos citados pelo Papa.
Em 2003 e 2004 Frei Betto atuou como Assessor Especial do Presidente da República e coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero. Desde 2007 é membro do Conselho Consultivo da Comissão Justiça e Paz de São Paulo. É sócio fundador do Programa Todos pela Educação.