Artigo

Fogão à Lenha

Por Genésio M Seixas

Nas moradias antigas do sertão, o fogão à lenha era a principal fonte de energia para cozer e assar alimentos, aquecer líquidos e o ambiente interno nos dias mais frios do ano. Uma cadeirinha servia de aconchego para criança enquanto a mãe lavava teréns do jantar ou do café da manhã. Esse lugar era sempre reservado ao irmão caçula que por sua vez não abria mão da mordomia. Sobre as brasas dos tições de lenha assava-se milho verde e pedaços de queijo no garfo ou no espeto; no borralho, pinhão, mangarito e batata-doce. Por cima da chapa quente as crianças assavam fatias de queijo fresco. Foi do termo borralho que originou a Gata Borralheira, ou Cinderela, uma das mais antigas e conhecidas lendas, esta na versão dos Irmãos Grimm – Gata Borralheira era o pejorativo para escravas ou moças semi-enclausuradas apegadas à lida com o fogão.

A tábua para alimentos era suspensa por fios afim de impedir que os queijos fossem tocados pelo seu maior apreciador, o rato. Ainda pendurados no teto, outros alimentos que necessitavam de defumação, já que raramente havia forro nas cozinhas. Afinal, na cozinha do sertanejo não se perdia nem a fumaça.

O torrador de café, de formato cilíndrico, era mais usado em fornalhas e não em chapas de fogão, depois de muito tempo foi inventado o torrador de bola mais apropriado para fogão. Quem não possuía nem um nem outro torrava o café em caçarola de cabo comprido, destampada, com o cuidado de mexer a todo o tempo para não queimar o produto.

No pilão de madeira socava-se milho, carne seca para farofa e descascava arroz, principalmente. Não raro, encontravam alguém, mais acomodado, sentado no pilão como se banco fosse.

O pote de barro era de fabricação caseira; a caneca com extensão era única e servia para tirar a água consumida e matar a sede de toda a família e visitas mais íntimas; não se conhecem casos de contaminação.

No passado, o fogão sempre teve uma importância marcante como bem empregou o historiador Afonso E. Taunay; - “Em l585 o arraial de São Paulo contava com 120 fogos”, significado de 120 fogões ou 120 famílias, equivalendo a uma população superior a mil habitantes incluindo os escravos.


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