Editorial

Fio de esperança

Exatamente no dia 19 de março do ano passado, o então prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) participou de reunião na sede da Associação Comercial e Industrial de Jales com a presença de diretores da entidade, empresários e lideranças comunitárias para discutir medidas a serem tomadas como forma de impedir a disseminação do coronavírus.

Conforme registrou este jornal, houve quem sugerisse fechamento do comércio a partir do dia 23, uma segunda-feira, até o dia 6 de abril, para evitar aglomerações, permitindo-se apenas o funcionamento, com restrições, de supermercados e estabelecimentos de serviços essenciais, em horário especial.

Também foi sugerida a flexibilização do pagamento do IPTU e ISS sem multas e juros e suspensão da cobrança da taxa de fiscalização e funcionamento de todas as empresas atingidas e até suspensão da cobrança da Zona Azul enquanto persistisse a situação.

  Aos hotéis, bares e restaurantes foi recomendada a distância de um metro entre as mesas e no atendimento no balcão, com diminuição no horário de abertura e fechamento, disponibilização de álcool gel para os clientes e incentivo ao sistema delivery.

As sugestões em forma de documento tinham as assinaturas dos presidentes Maria Ramires (Sindicato dos Comerciários), Leandro Rocca Lima (Associação Comercial) e Luís Carlos Rosa Peres (Hotéis, Restaurantes e Similares).

Se, na época, tais medidas foram consideradas algo draconianas por alguns setores, hoje, olhando pelo retrovisor, verifica-se que Jales antecipou-se ao Plano São Paulo posteriormente adotado pelo governo do Estado e impediu que a situação saísse do controle.

No dia da reunião da ACIJ, teve participação fundamental a médica Sandra Marcondes Corazza, na época responsável pela cirurgia ambulatorial no AME. Citando dados de um grupo de pesquisas da qual fazia parte, a médica bateu insistentemente na tecla do isolamento social, do “fique em casa”, para evitar mal maior. Caso contrário, advertiu, não haveria UTI suficiente para todos em Jales, como já não havia em algumas regiões do país.

Pois bem, embora questionadas pelos eternos insatisfeitos, as medidas sugeridas foram abraçadas pelo prefeito mesmo correndo o risco de impopularidade.

Passados 11 meses, apesar de todos estes cuidados, Jales contabilizava até o momento em que era redigido este editorial, 3.362 casos positivos e 91 óbitos, alguns dos quais de pessoas conhecidas e de projeção na cidade.

Mas, nem tudo está perdido. A chegada do caminhão-baú com 920 doses da vacina Coronavac na última quarta-feira, dia 20, sensibilizou corações e mentes.

Embora se saiba que, por enquanto, ainda não existe vacina para todos, trata-se de um bom começo, de um fio de esperança que, espera-se, contribua para salvar vidas.


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