quarta 14 abril 2021
Arquibancada

Feliz Ano Novo!

O ano mal acabou, e a diretoria do São Paulo já inicia o planejamento para a próxima temporada. A campanha abaixo do esperado no Campeonato Brasileiro e a deterioração do elenco no segundo semestre são os principais responsáveis para fazer com que a programação seja adiantada.
Acostumado a disputar títulos importantes com frequência, o Tricolor teve um 2016 para ser esquecido. Apesar de ter alcançado a semifinal da Copa Libertadores da América, a equipe foi atropelada pelo Audax nas quartas de final do Estadual, caiu para o modesto Juventude nas oitavas da Copa do Brasil e apresenta um desempenho insatisfatório no nacional. No entanto, os resultados ruins nas duas últimas competições podem ser explicados pela carência de jogadores.
O mês de julho foi catastrófico para o Soberano. Em 30 dias, Calleri, Paulo Henrique Ganso, Alan Kardec, Rogério e o técnico Edgardo Bauza deixaram o clube. Porém, a reposição não foi à altura. O reflexo da incompetência da diretoria foi visto dentro de campo. Futebol de baixa qualidade, briga contra o rebaixamento e a sensação de alívio após escapar da segunda divisão. Muito pouco para um tricampeão mundial.
A vitória massacrante sobre o Corinthians foi uma das melhores atuações do São Paulo no ano. A estrela de Cueva, um dos poucos reforços que vingaram, brilhou. Para voltar a construir um time forte, todavia, não é preciso investir tantos milhões assim. A categoria de base, uma das principais fontes de renda dos clubes, é forte. Mas ainda pode melhorar.
Luiz Araújo, David Neres, Pedro e Lucas Fernandes são quatro nomes de talento, nos quais a torcida deposita muita esperança. Os três primeiros têm sido utilizados por Ricardo Gomes com frequência – o último ainda se recupera de lesão no joelho. Formados em Cotia, o quarteto fez sucesso pelo sub-20 do Tricolor e conquistou títulos. Aberto pela direita, Neres tem sido uma válvula de escape fundamental, pois, além da característica ofensiva, tem auxiliado na marcação e na armação, quando necessário.
A escolha por João Schmidt e Thiago Mendes no meio-campo me agrada. Com Hudson ainda ausente, a dupla marca bastante, protegendo o duvidoso sistema defensivo são-paulino. A força no meio faz com que Cueva tenha mais liberdade para aproveitar os contra-ataques e deixar seus companheiros na cara do gol, já que vem sendo improvisado como armador. Tal medida foi adotada diante do Corinthians. Resultado: 4 a 0, fora o nó tático.
Contudo, reforços são essenciais. Wellington Nem, emprestado de graça pelo Shakhtar Donetsk, por 12 meses, fechou na quarta-feira e tornou-se o primeiro nome para 2017. Apesar de ser canhoto, o jogador costuma atuar pelo lado direito. 
No futebol ucraniano desde junho de 2013, a revelação do Fluminense disputou apenas 51 partidas – não atua desde 9 de setembro. Por isso, já será integrado ao elenco ainda este ano. Se estiver bem fisicamente e com vontade, é titular absoluto. Caso apresente bom futebol, em dezembro, o Tricolor poderá exercer o poder de compra. Porém, os cofres não estão cheios.
Uma possível repetição do “Caso Calleri” não pode ser descartada: joga bem e vai embora por falta de recursos financeiros. Livre da Série B, o Ano Novo já chegou ao lado vermelho, branco e preto da capital.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

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