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Fazendo cabeças

Editorial
08 de julho de 2018
Ao  fazer a abertura de seu programa no domingo passado, dia 1º de julho, logo após a transmissão dos jogos da fase de grupos da Copa do Mundo da Fifa, Faustão exortou os telespectadores do “Domingão” a curtirem bastante o futebol, mas não se esquecerem de que é dever de cada um escolher e eleger bons candidatos em outubro.
Houve quem se surpreendesse com as afirmações feitas naquele começo de noite. Menos os que sabem que, por trás da capa de irreverente apresentador de um programa de variedades de enorme audiência na maior rede de televisão do país, existe o jornalista Fausto Silva, que militou no jornalismo esportivo em emissoras de rádio e televisão sempre com olhar crítico, sem livrar a cara de ninguém. 
A fala de Faustão nos reconfortou porque uma semana antes esta coluna, que expressa a opinião do jornal, publicou um texto intitulado “A taça que interessa” no qual foi lembrado que mais importante do que a vitória dos jogadores nos gramados estará em disputa, em outubro, outra taça, a eleição de alguém que possa mudar a vida dos brasileiros.
 Na verdade, apesar do desencanto com a política, a população brasileira também não está se deixando anestesiar pelos gols e jogadas de efeito dos milionários jogadores comandados de Tite, como captou a pesquisa do instituto Datafolha citada no editorial—54% dos brasileiros tinham pouco ou nenhum interesse pelo campeonato mundial de futebol.
Porém, para virar o jogo em termos de país, é preciso um pouco mais especialmente se o alvo for a multidão de adolescentes e jovens que ainda não estão de cabeça feita.
Sob este aspecto, algumas iniciativas merecem destaque inclusive em Jales como, por exemplo, o Café Filosófico, criado há seis anos   pelo professor Willie Barbosa, da Cooperjales/Objetivo. 
Trata-se de um debate sobre assuntos de interesse coletivo com a participação de alunos do Ensino Médio da Cooperjales e Colégio XV de Abril/Anglo. Neste ano, o Café Filosófico foi compartilhado também por alunos do Sesi de Votuporanga.
Tendo como debatedores o sociólogo Carlos Antonio Gomes, oriundo da Unicamp, o professor de Geografia, Herivan Chimenes e o delegado de polícia Sebastião Biazi, o tema foi “Armar ou Desarmar? ”
 Depois das falas dos expositores, entram em cena os alunos presentes para dirimir suas dúvidas a respeito do tema em questão.
Vale lembrar que o idealizador do Café Filosófico procura colocar em pauta assuntos que, de certa forma, a mídia ignora. Na segunda edição, por exemplo, o tema foi a ditadura militar. 
Estiveram debatendo o assunto a sra. Naomi Rollemberg, viúva do deputado estadual Roberto Rollemberg, cassado com base no Ato Institucional nº 5;  da família Berbert, que teve um de seus membros, Ruy Carlos Berbert, assassinado durante o regime de exceção, e Deonel Rosa Junior, que falou sobre como eram as relações da imprensa do interior com os prepostos da ditadura.
Em resumo, iniciativas como a do Café Filosófico, que incentiva os jovens a refletirem sobre assuntos antes proibidos, dão a reconfortante sensação de que é possível acreditar em um país diferente.