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Fazendo a cabeça

Editorial
05 de maio de 2019
O que levou um grupo de jovens a abdicar da noite de balada na véspera de um feriado para, às cinco horas da manhã seguinte, iniciar uma caminhada pelas ruas da cidade até chegar ao Santuário da Santíssima Trindade?
Alguém poderia esgrimir o argumento óbvio: ora, não foi nada demais já que a Caminhada da Juventude é tradicional entre os católicos na Sexta-Feira da Paixão.
Em circunstâncias normais, a resposta até que seria aceitável e não comportaria maiores contestações, mas é bom lembrar outros dois aspectos que justificam a pergunta do primeiro parágrafo desta análise sobre o que aconteceu na madrugada de 19 de abril.
Em primeiro lugar, o grupo não era constituído por meia dúzia de gatos pingados, mas por cerca de 200 rapazes e moças. Em segundo lugar, se nas edições anteriores a referida manifestação tinha a Catedral de Jales como ponto de partida, desta vez o roteiro foi outro. 
Conforme registrou este jornal em matéria de meia página no primeiro caderno com direito a chamada na capa, tudo devidamente ilustrado, os organizadores optaram por iniciar a Via Sacra, com 15 estações como preceituam os ensinamentos bíblicos, pelas sedes dos poderes legalmente constituídos — Prefeitura, Câmara Municipal e Fórum da Comarca.
O elemento catalizador da versão diferente da caminhada deste ano foi uma espécie de convocação embutida no tema da Campanha da Fraternidade 2019 intitulado “Fraternidade e Políticas Públicas”. E, como uma espécie de subtítulo, no lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”.
Na escada de acesso à Prefeitura, na rampa da Câmara e na esquina do Fórum, o chamamento quanto aos objetivos foi direto: “despertar a consciência e incentivar a participação de todo cidadão na construção de políticas públicas em âmbito Nacional, Estadual e Municipal. Propor políticas públicas que assegurem os direitos sociais aos mais frágeis e vulneráveis. Trabalhar para que as políticas públicas eficazes de governo se consolidem como políticas de Estado. Promover a formação política dos membros de nossa Igreja, especialmente dos jovens, em vista do exercício da cidadania.”
É importante lembrar que a média de idade dos participantes da Caminhada da Juventude foi de 18 anos, o que dá fundadas esperanças de que alguns deles consigam absorver em profundidade o que foi refletido e decidam disputar eleições em 2020, oxigenando a vida pública jalesense.
Afinal de contas, os antigos ensinavam que “é de menino que se torce o pepino”.