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Fatos falsos

Perspectivas por Caroline Guzzo
16 de julho de 2018
Caroline Guzzo
A expressão fake news (notícias falsas) é um dos assuntos mais comentados no meio jornalístico, embora pareça ser um termo errôneo, pois toda notícia antes de ser transmitida ao público passa por um processo árduo de checagem e apuração das informações. Por isso, conforme reflexão do Dr. Marcelo Marques, professor, mestre e doutor em Comunicação, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o termo mais adequado seria fake fact (fatos falsos). 
Geralmente, a notícia falsa é criada para defender o interesse de alguém e se propaga com mais facilidade do que a notícia verdadeira. De acordo com um levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP), somente nas redes sociais, 12 milhões de pessoas compartilham informações inverídicas sobre política no Brasil. Esse número é ainda maior se considerarmos todos os outros assuntos objetos de fake news. 
Uma outra pesquisa da Reuters Institute Digital News Report, fez um levantamento com 74 mil pessoas, em 37 países, analisou a confiança, a desinformação no consumo de notícias globais e identificou que pessoas com nível mais alto de interesse em notícias tendem a ter maior preocupação com fake news. Em países com índices mais elevados de alfabetização, as pessoas estão mais propensas a identificar conteúdos mentirosos, satíricos e jornalismo de baixa qualidade. A Turquia lidera a pesquisa, na qual 49% dos entrevistados afirmaram que consomem informações falsas. O Brasil está na terceira posição, com 35%. 
Os brasileiros não possuem o hábito da leitura, simplesmente leem as manchetes e disparam a informação sem averiguar a veracidade do conteúdo. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que apenas 15,3% dos brasileiros têm ensino superior completo, ou seja, há uma deficiência de cultura educacional. 
O assunto levou o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux, anunciar na quinta-feira, 21 de junho, durante um seminário, que as eleições 2018 podem ser anuladas se for comprovada a interferência das fake news.
A expansão da notícia falsa é exorbitante nas redes sociais, motivo pelo qual orientamos algumas maneiras de combater essa imoralidade, como fazer uma análise crítica do que receber, já que referidas notícias aparecem com manchetes chamativas e sensacionalistas, pesquisar a informação no site www.boatos.org e não ser ingênuo. De fato, as fake news estão espalhadas por toda parte e só depende da sua consciência evitar a difusão.

•Fonte:https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-web-12-milhoes-difundem-fake-news-politicas,70002004235
•http://forbes.uol.com.br/listas/2018/06/12-paises-com-maior-exposicao-a-fake-news/
•https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html?=&t=o-que-e

Caroline Guzzo
(jornalista jalesense, radicada em Uberlândia/MG)