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FARRA NO TESOURO: Apuração da Prefeitura só está na metade, mas já chega a R$ 6,4 milhões

por Luiz Ramires
14 de janeiro de 2019
Érica: levantamento da Prefeitura continua apurando os desvios que resultaram na operação Farra no Tesouro, da Polícia federal
Dos dez anos de desvios de recursos dos cofres municipais praticados pela ex-tesoureira da Prefeitura Érica Cristina Carpi Oliveira, cinco já foram apurados, com rastreamento das contas bancárias que teriam sido usadas para os golpes. Ainda não é oficial, mas a soma já chega a R$ 6,4 milhões, referentes ao período de 2018 a 2014. 
Segundo o levantamento que está sendo realizado pela Secretaria Municipal de Fazenda para a Comissão da Sindicância Interna instalada pelo prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) que apura o caso, as fraudes teriam ocorrido em várias das mais de 200 contas bancárias do município, como informou o secretário Nivael Brás Renesto. 
O secretário disse que o trabalho iniciado logo após a deflagração da operação Farra no Tesouro, no final de julho de 2018, pela Polícia Federal, deverá prosseguir pelos próximos meses, até a conclusão do levantamento dos extratos bancários referentes a 2008 quando as fraudes teriam sido iniciadas, segundo declaração da ex-tesoureira em depoimento na PF. 
Foi nesse período, segundo ela, que os pagamentos começaram a ser feitos por Internet Banking. O levantamento, no estando poderá se estender por mais três anos, para cobrir todo o período em que Érica trabalhou na Secretaria de Fazenda. 
O resultado do levantamento deverá ser encaminhado para a Comissão de Sindicância logo que for concluído. Além da Prefeitura, os desvios estão sendo apurados pela Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Câmara Municipal, através de uma Comissão Especial de Investigação.
Desde a deflagração da operação da PF a Prefeitura já entrou com quatro pedidos na Justiça para liberação ao município dos recursos apurados no inquérito policial, referentes à venda dos bens móveis e imóveis pertencentes à ex-tesoureira como pagamento de parte dos danos aos cofres municipais, segundo informou o procurador jurídico do município, Pedro Callado.

Érica confirma na Câmara o que disse na Polícia Federal

Enquanto na Prefeitura a sindicância para apurar os desvios da ex-tesoureira Érica Cristina Carpi, continua aguardando o levantamento das mais de 200 contas onde poderiam ter ocorrido as fraudes, na Câmara os trabalhos da Comissão Especial de Inquérito também continuam.
Até o momento já foram colhidos 22 depoimentos, inclusive o da própria Érica que basicamente confirmou o que disse na Polícia Federal, reconhecendo os desvios praticados desde 2008, segundo informou o relator da CEI, vereador Bismark Kuwakino (PSDB). A CEI da Câmara tem ainda como presidente o vereador Fábio Kazuto Matsumura (PSB) e como vice Vanderlei Vieira dos Santos, o Deley (PPS).
Entre as pessoas que prestaram depoimentos estão funcionários e ex-funcionários da Prefeitura, incluindo o secretário e ex-secretários de Fazenda, prefeito e ex-prefeitos, além de gerentes de bancos e outros convocados, sendo que por enquanto nenhum deixou de atender a convocação, segundo o relator.
Como o prazo da CEI foi prorrogado por mais 90 dias, os trabalhos deverão ser reiniciados em fevereiro, com o término do recesso parlamentar para que outras pessoas possam ser ouvidas até abril quando termina o prazo para a conclusão do relatório.
Bismark acredita que os depoimentos colhidos pela comissão poderão contribuir para saber o que e como tudo aconteceu, somando as informações com os outros trabalhos de apuração que estão sendo realizados pela Prefeitura, Polícia Federal e Ministério Público.