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Falta de mulher

Editorial
11 de março de 2018
Antes que alguém se assuste e veja duplo sentido no título deste texto, é bom prevenir os incautos. Embora pareça, não é nada disso que os que adoram incursões erótico-sentimentais podem pensar.
Na verdade, o assunto aqui é bem outro e muito mais sério do que possa imaginar a vã filosofia de boteco, espaço democrático onde todos os problemas são resolvidos, desde as agruras do presidente Temer quanto a possibilidade de prisão do ex-presidente Lula.
Descontado esse preâmbulo um pouco diferente do clima circunspecto que deve emoldurar um editorial, vamos direto ao assunto tendo em vista a comemoração do Dia Internacional da Mulher, transcorrido na última quinta-feira, 8 de março.
Se está sobrando mulher em vários segmentos como, por exemplo, a educação, onde elas fazem e acontecem, e também na saúde, onde os postos de comando da cidade estão todos sob controle delas, como se poderá constatar com uma simples passada de olhos na página 7 deste caderno, é triste constatar que o mesmo não acontece em uma área que carece do toque feminino. 
E diga-se de passagem, aqui não está se falando em sexo frágil, em plumas e lantejoulas, em rosas e perfumes, mas em mulheres que teriam todas as condições de fazer diferença na seara político-administrativa.   
Olhando pelo retrovisor basta lembrar o pífio desempenho eleitoral das mulheres na eleição anterior, a de 2016, quando Flávio Prandi Franco (DEM) e José Devanir Rodrigues (PMDB) foram os candidatos únicos para prefeito e vice, respectivamente.
Entre os 84 candidatos a vereador, 28 eram mulheres e elas, salvo raríssimas exceções, não alcançaram nem mesmo uma modesta suplência, ficando em posições secundárias no ranking dos mais votados.
O pior é que dos 50.000 habitantes de Jales, segundo a mais recente estimativa do IBGE, as mulheres constituem maioria, na proporção de 51% para 49%.
Diante desses números, se o eleitorado feminino se unisse, não seria exagero imaginar que pelos menos umas três ou quatro mulheres teriam conquistado uma cadeira na Câmara Municipal de Jales, que é a caixa de ressonância do povo, reduto onde a representação popular aflora da forma mais genuína.
Na verdade, até hoje, Jales só elegeu quatro vereadoras — Hilda Elias Rochel de Souza, na primeira legislatura, Esmarlei Henrique de Carvalho Melfi, nos anos 80 e parte dos 90, Aracy Murari Cardozo, a Tatinha, por quatro vezes nos anos 2000,  e Pérola Cardoso, em 2008 e 2012,que se notabilizou por trabalhos comunitários, o que lhe garantiu duas vezes o segundo lugar.
Vai daí, está passando da hora das mulheres conquistarem representativa de política compatível com sua supremacia em termos populacionais.