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Fake Facip

Editorial
29 de abril de 2018
Desde julho de 2017, a anunciada compra do recinto da Facip pela até então desconhecida Gauri Eventos, empresa de São Paulo, por R$ 3 milhões, vem merecendo amplo espaço neste jornal. Em agosto do ano passado, editorial intitulado “Quem vê de fora vê melhor? ”, o jornal incluiu a suposta transação no rol de boas novas daquele período, que incluía o investimento de empresários de São José do Rio Preto na aquisição da sede do Clube dos Médicos, assim como o interesse de um empresário do Acre em investir em uma linha aérea Jales-São Paulo.
Dos três negócios praticamente fechados, só um se concretizou —o da compra do Clube dos Médicos. O empresário do Acre virou pó e na hora de assinar o cheque de R$ 3 milhões, a cúpula da Gauri também negou fogo.
Diante disso, a BVLX, um dos braços do Grupo Venturini, cujos diretores têm olho clínico para assuntos imobiliários, entrou na disputa, oferecendo o que a Unimed pedia, mas a prazo, o que foi recusado pelos cooperados.  
O negócio só se concretizou quando três empresários de Santa Fé do Sul ganharam no olho mecânico a disputa com dois de Jales. A diferença de valores foi mínima e os jalesenses só não levaram o grande prêmio porque queriam comprar a área em parcelas.
Mesmo assim, o jornal continuou apoiando a Gauri quando seus diretores retornaram a Jales e anunciaram que iriam fazer a Facip 2018 em outro espaço.
 Apesar da atraente linha de shows anunciada, com artistas de ponta do sertanejo universitário e do chamado sertanejo brega, a desconfiança foi inevitável. O furo anterior com a Unimed ainda estava vivo na memória coletiva.
Ainda assim, o jornal, em edições seguidas, divulgou peças publicitárias intituladas “Facip Rodeio Show”. Detalhe: a custo zero. Por que? Porque, na condição de órgão de imprensa que circula ininterruptamente há 47 anos,  o interesse era que a Facip fosse resgatada, o que poderia contribuir para melhorar a auto-estima dos jalesenses, ávidos por algo positivo depois de tanto baixo astral nos últimos anos.
 O tempo foi passando e a desconfiança diminuindo, o que gerou aumento gradativo na venda de camarotes, mesas e ingressos.
Hoje, 29 de abril, faz uma semana que a festança terminou. Foi sucesso de público e, espera-se, de bilheteria, até porque não é pecado ganhar dinheiro.
O único reparo que o Jornal de Jales faz, em nome da verdade histórica, é que, o evento pode ter sido tudo. Menos Facip,  sigla pela qual sempre foi conhecida a  Feira Agrícola, Comercial, Industrial e Pecuária de Jales.
No recinto, nem sombra da verdadeira Facip. Cadê a Festa do Arroz, síntese da produção agrícola? Onde estavam os Pavilhões Comercial e Industrial? E a Feira do Verde, que ajudou a criar consciência ambiental? E a Exposição e Julgamento de Animais de Raça, que tanto contribuíram para o melhoramento genético do rebanho bovino? Infelizmente, nem espaço para que as entidades filantrópicas ganhassem uns trocados para manter seus serviços tinha lá.
Repita-se: o que aconteceu de 19 a 22 de abril foi tudo. Menos Facip. Ou se quiserem usar uma expressão da moda, foi uma “Fake Facip”.
Que em 2019 os organizadores do Rodeio Show ganhem o dinheiro que quiserem e puderem, mas, se não for pedir muito, não usem o nome da maior festa popular de Jales como se fosse uma marca qualquer. A verdadeira  Facip merece respeito!