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Faces da mesma moeda

Editorial
03 de junho de 2018
Em plena ressaca decorrente do movimento de paralisação dos caminhoneiros que, como antecipou o Jornal de Jales na edição de domingo passado, dia 27 de maio, gerou desabastecimento, o assunto que parou o país cabe algumas reflexões em termos locais e regionais.
De um lado, o dos caminhoneiros, que voltam a circular pelas rodovias levando a bordo o atendimento por parte do governo federal de praticamente todas as reivindicações, puxadas pela redução de 46 centavos no preço do litro do óleo diesel. 
Registre-se por uma questão de justiça que, à exceção da prisão de um infiltrado que nada tinha a ver com a categoria, mas fazia e acontecia nos pontos de bloqueio, inclusive ameaçando, o que levou a Polícia Federal a tirá-lo de circulação, o movimento dos caminhoneiros nas rodovias da região de Jales foi relativamente pacífico. 
Agora resta juntar os cacos e correr atrás do prejuízo, na medida em que os 10 dias de paralisação afetaram o bolso de todos, principalmente dos motoristas autônomos, aqueles que vivem do frete recebido por viagem.
De outro lado, não pode ficar sem registro o posicionamento de empresários de Jales, ao se colocarem, em intervalo de 24 horas, de formas diferentes, sobre o movimento.
Por exemplo, na segunda-feira, dia 28 de maio, a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Jales distribuiu circular a seus associados solicitando o fechamento das portas de seus estabelecimentos às 16 horas em apoio às reivindicações dos chamados irmãos da estrada, com direito a passeata pelas principais ruas da cidade. 
No dia seguinte, dia 29, porém, foi possível ver a outra face da moeda, quando o grupo denominado “Progresso”, usando o WhatsApp, apoiou integralmente manifesto redigido pelo jovem industrial Francisco Venturini Florêncio de Athayde, o Kiko, que também integra a direção da ACIJ. 
Em resumo, o manifesto, que saiu do restrito grupo da rede social e se tornou público através da edição eletrônica e pela página do J.J. no Face, pontuava que as indústrias Saboraki, Keleck, Fuga Couros, Pipoca Maroca e Venturini, que somam mais de 800 empregos diretos e mais de 2.0000 indiretos, corriam o risco de parar totalmente tanto por falta de insumos quanto de impossibilidade de escoamento de seus produtos.
Em tom firme, mas sem atiçar os ânimos, o “Progresso” questionou a postura de alguns lideres dos bloqueios que teriam impedido a passagem de caminhões grandes ou pequenos e ameaçado depredá-los caso desejassem deixar os pontos de bloqueios. 
Ao final, o documento dos empresários foi ao cerne da questão: “na próxima semana temos folha de pagamentos... Será paralisada também? ”
Ao se posicionaram em assunto tão delicado de maneira incisiva sobre o que pensam, os integrantes do grupo “Progresso” deram fundadas esperanças de que a nova geração de empresários da cidade tem capacidade não somente para tocar seus próprios negócios, mas também para opinar sobre questões coletivas relevantes tendo como motivação o bem comum.