domingo 27 setembro 2020
Editorial

Exemplos para o país

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro insiste em bater cabeça um dia sim e outro também com adversários políticos, governadores, jornalistas e até ministros, as lideranças de Jales, em contraponto ao alarido de Brasília, vêm dando demonstrações inequívocas de que somar forças dá resultado.

Desde que a Organização Mundial de Saúde tornou explícito que o coronavirus era uma pandemia, a comunidade jalesense saiu da zona de conforto e arregaçou as mangas, investindo em ações efetivas de redução de danos.   

O primeiro a colocar o bloco na rua foi o prefeito Flávio Prandi Franco que, lendo na cartilha da equipe do ministro Mandetta, assinou o primeiro decreto, o do estado de emergência e, na sequência, acompanhando o governador João Dória, implementou a calamidade pública.  

Tais decisões tiveram o respaldo de um grupo de WhatsApp denominado “Covid-19- Diálogo”, criado por membros do Poder Judiciário e integrado pelos representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, além de instituições como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Santa Casa, Associação Comercial, OAB, Corpo de Bombeiros e Polícia Ambiental. 

Desde o dia 20 de março quando o “Covid-19” começou a dialogar 24 horas por dia, foram discutidas 55 ações, das quais muitas já implementadas, principalmente as de caráter educativo e de prevenção, martelando incessantemente a tecla do isolamento social, evitando aglomerações.  

Também saiu do forno do grupo de WhatsApp a proposta do Ministério Público Estadual para levantar parte dos recursos do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, repassados pela Prefeitura Municipal nos últimos anos.

Reunidos, os conselheiros do CMDCA aprovaram a proposta por unanimidade, o que vai resultar em R$ 800 mil para a Santa Casa investir na estrutura que está montando para o enfrentamento à pandemia. 

A Santa Casa e a rede municipal de saúde também foram beneficiárias de outra ação articulada no âmbito do grupo —recursos do Poder Judiciário decorrentes de penas pecuniárias e transações penais.  

A campanha “Jales sem fome”, articulada pelo Fundo Social de Solidariedade do Município com a participação efetiva de denominações religiosas e doações de corações generosos que preferiram permanecer no anonimato também se insere no contexto do esforço comum e do entusiasmo contagiante do grupo de diálogo.  

Em resumo, ao somar esforços em torno de uma causa comum, as lideranças jalesenses estão dando um grande exemplo não somente para quem mora aqui, mas para as cabeças coroadas que andam se queimando na fogueira das vaidades que arde no andar de cima.  


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