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Eu te amo

Jales, eu te amo!!!
14 de abril de 2015

Quando chego à casa de alguém que não conheço,  me mantenho mais educada que comumente sou, eu sorrio e me adequo ao lugar. Assim foi quando saí da minha cidadezinha no interior paulista e me vi na super São Paulo. Fui (e ainda sou) obediente, proativa e paciente. Obedeço à cada fila longa, aguento todo o trânsito, compreendo toda diversidade, adversidade e insanidade de quem está aqui. Aprendi a colocar toda a culpa dos atrasos nos milhares de carros na rua, a puxar o “erre” diferente do meu sotaque e nunca comi tanta pizza do que em toda a minha vida em Jales. Confesso que aqui tem muita coisa para se fazer, que  adoro usar manga comprida em pleno verão brasileiro, curto almoçar às 15h e choro  de saudade em qualquer lugar desta cidade sem que ninguém me condene.
Mas tem uma “coisa” que faz meu coração acelerar (não, não é minha pressão alta) e que lacrimejam meus olhos num segundo (nem é a poluição ardida).  É quando ou me perguntam de onde sou ou quando um negocinho chamado saudade toca os meus sentidos e me leva a quase 600 km daqui. Eu não sei se você que está aí todos os dias conseguirá entender, mas vou tentar explicar.
Não morar em Jales é não passar na casa de algum amigo ou do seu irmão para tomar o café da tarde, na casa de um parente para jantar e ao olhar no relógio ainda ser 20h. É não perguntar como vai a família para o dono da padaria ou então pagar uma conta depois, às vezes até no cheque. É não ver seus sobrinhos crescerem todos os dias, seus pais e tios envelhecerem e não sentar calmamente com as amigas para papear. Em Jales você pode sair para um compromisso 10 minutos antes e, geralmente, não se atrasar. Pode esperar dentro  do carro (com o ar condicionado ligado, ok),  andar livremente na rua e cumprimentar as pessoas com um sorriso. É falar da vida alheia, mas solidarizar com a mesma. É ver o dia transcorrer de verdade, com o pôr de sol e tudo. Sinto que aí o dia tem mais horas... E as horas, muita qualidade.
Em Jales você socorre um coração partido ou um joelho machucado rapidamente. Você come peixes e picanhas frescos e bebe a cerveja mais gelada do Estado (quiçá das Américas). É só em Jales que você vê as estrelas brilhantes no céu límpido e acorda no centro da cidade com o canto dos pássaros e dos galos. E é aí, e somente aí, que consigo sentir um ventinho, uma leve brisa quando está muito calor e vai chover, como se fosse uma anunciação de que vem “água” por aí... Você consegue entender, consegue sentir isso também? Juro que para explicar essa sensação, fechei meus olhos e fui invadida por ma imensa felicidade.  Confesso que persigo (em vão) esse contentamento aqui... Mas é que até o cheiro é diferente, é cheirinho puro, uma mistura de terra com chuva...
Foi em Jales que nasci, tive meu filho, aprendi a trabalhar e amar as pessoas. É onde guardo minha riqueza maior: minha família e amigos de verdade. E é onde descanso minha alma e renovo meu ser. Se você está aí, que sorte a sua.
O comércio de Jales  é super moderno e aquecido,  a agricultura e a educação continuam sendo referências do Noroeste Paulista e a qualidade do ar é muito boa; aí tem Hospital de  Câncer, Polícia Federal, um Judiciário bem ativo.  No “Jalão tropical” tem taiko, espetinho de carne, uva, mel e sorvetes deliciosos. Tem até Facip (como explicar isso para um paulistano, meu?), tem jornalistas, advogados e professores excelentes. Jales é lugar de gente bacana, bonita e especial. Jamais se esqueça disso: jalesense é especial! E é por isso que acho importante “arrumarem” os buracos das ruas e pararem de mentir e “brincar” conosco. A gente não merece.
Mas, ah, Jales, eu te amo e amo tudo o que tem em você. Eu sinto muito a sua falta e desejo prosperidade porque, isso sim, sua gente merece.
Para terminar, antes que o táxi chegue ao meu destino,  só preciso esclarecer 3 “coisas”: 1) quem mora em Jales é jalesense; 2) o estacionamento e a porção de batatas fritas em Jales  têm preços justos  e 3) eu menti sobre meu sotaque... Eu continuo falando porrrrteira, celularrrr e amorrrrr, muito amorrrrrrr.

   Ana Caparroz
 jalesense, jornalista por opção, chorona por vocação