Perspectivas

Eu quero uma casa ecológica

Quando a ecologia entrou na moda, repetia-se muito o lema ambientalista: “Pensar globalmente, agir localmente”.
É interessante aceitar que todos podem atuar de maneira correta em relação à natureza, reduzindo a massa ignara e cruel que continua a dizimá-la.
Algo que deve começar em casa. E criatividade é algo que poderia ser mais explorado num Brasil onde faltam milhões de moradias. Por que continuar a construir esses conjuntos de residências iguais, praticamente grudadas umas às outras, sem um jardim, sem uma horta, sem uma árvore? Fonte de conflitos, porque não há privacidade, mas um compulsório convívio entre pessoas que não pertencem à mesma família. Obrigadas a suportar as vicissitudes de uma intimidade forçada, a partilharem ruídos, desentendimentos ou exteriorizações que podem afetar a tranquilidade do vizinho.
Tem-se valorizado pouco o arquiteto num Brasil que já forneceu paradigmas nessa área, cujos nomes reiteradamente faço questão de reverenciar.
Pois ainda existem arquitetos que se reinventam e investem na criatividade e no arrojo ecológico e sustentável. 
Após os três pilares da sustentabilidade serem suficientemente desenvolvidos – o ambiental, o financeiro e o social – investe-se no pilar cultural. Introduz-se a tática de uso de materiais integralmente reutilizáveis na construção e na decoração. Volta-se, por exemplo, ao “pau-a-pique”, à taipa e ao superadobe, que consiste no empilhamento de sacos de terra.
É uma opção econômica, baseada na utilização de material abundante na natureza, gera habitação termicamente estável e acusticamente isolada. Suporta inundações e movimentos tectônicos.
Há uma experiência interessante de mulheres construtoras na periferia de Belo Horizonte, com arquitetas ensinando o sexo considerado frágil a edificar sua residência. Está dando certo e pode ser acompanhado pelo G1, a Globo News. Outros investem nas “casas contêineres”, que são ecologicamente corretas. A construção modelar por blocos é a casa que se pode levar de um espaço para outro. 
Enfim, é confiar na mocidade que é a faixa mais sensível à injustificável exploração do ambiente e que se comove com o atual estado do planeta e apelar para o uso de matrizes energéticas limpas, quais a solar, captação de água da chuva, ventilação cruzada com redução do uso de ventiladores. 
A volta à natureza, com respeito e com inteligência, é a opção que talvez ainda possa garantir uma subsistência digna para os que nos sucederem. 

José Renato Nalini 
(É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020)   
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