Editorial

Esquenta

A campanha eleitoral terminou em 15 de novembro, os eleitos foram proclamados pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas embora seja a mais importante etapa do processo sucessório por expressar a vontade soberana dos habitantes de uma comunidade, não se esgota em si mesma.

Ao contrário, ainda que não tenham sido diplomados nem empossados, agora os escolhidos não são mais candidatos, mas detentores de mandatos populares.

Tal condição remonta à história do copo meio cheio e meio vazio. Se a consagração nas urnas os coloca automaticamente na história política da cidade, por outro lado expõe todos eles, sem exceção, às chuvas e trovoadas da opinião pública.

Nesta medida, a sabatina que a diretoria da 62ª Subseção de Jales da Ordem dos Advogados do Brasil programou para a próxima quarta-feira, dia 9 de dezembro, com o prefeito eleito Luís Henrique Moreira deve servir de termômetro para medir a temperatura da equipe administrativa que vai assumir as rédeas do município a partir de 1º de janeiro de 2021.

Como o candidato Luís Henrique, por razões de foro íntimo, não compareceu aos dois debates realizados durante a campanha— um promovido pela Associação Comercial e Industrial de Jales e Fórum da Cidadania, no dia 29 de outubro, e outro, sob os auspícios da Diocese de Jales,no dia 5 de novembro— a presença dele, como prefeito eleito, na sabatina da OAB, vai proporcionar aos que reclamaram sua presença nos confrontos com os outros dois concorrentes a oportunidade de tirar dúvidas sobre o programa de governo de quem saiu da urna eletrônica a bordo de significativos 12.114 votos.

Vale lembrar que a ausência de LH nos debates mencionados linhas acima deu aos opositores a oportunidade de fazer o óbvio: tentar desconstruir a imagem dele.

Isto ficou bastante nítido, em ambos os debates, nos blocos em que o confronto era entre candidatos. Luís Especiato (PT) e Ailton Santana (PV) aproveitaram o vácuo e usaram uma jogada característica do voleibol: um levantava a bola para o outro cortar.

Especiato, mais experiente e mais cáustico, chegou a cunhar uma frase em forma de pergunta com o claro objetivo de atingir o candidato favorito e semear dúvidas na cabeça dos indecisos: “ele não veio porque não tem o que falar ou tem muito a esconder?”.

Como a eleição já passou e a maioria dos eleitores preferiu Luís Henrique na base de dois e meio por um sobre o segundo colocado, resta saber o que pensa o eleito.

Vai daí, a sabatina de quarta-feira, que será transmitida pelas redes sociais da OAB, se afigura como uma espécie de esquenta do que os jalesenses podem esperar para os próximos quatro anos.


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